Sobre a singularidade da morte.

Não! A imortalidade não me seduz — Mas cá entre nós ­ — Adoraria contemplar a morte sugado por um buraco negro. Imagina sentir o gostinho do infinito, enquanto nos deleitamos dos mistérios que o homem ainda não foi capaz de estregar. Certo de que seria “espaguetizado”, não me preocuparia com essas dietas horríveis que só nos torturam privando-nos de viver com a desculpa de prolongar a vida, assim faria questão de me fazer obeso para melhor aproveitar a singularidade de ser, em pedaços… cada vez menores.

Neste horizonte de eventos que chamamos vida, pouco vale essas fatias de emoção economizada que demos o nome de aniversário. Não sejamos estúpidos, os únicos eventos que realmente somos lembrados, são o nascimento e a morte. Mas do nascimento nada lembramos, portanto, tolos são aqueles que almejam uma morte rápida e sem graça.

Dito isto, deixo aos meus herdeiros, a tarefa de primeiramente ler todos os meus poemas que foram ao ar e os que guardo numa caixa de sapato com o nome “Perigo, não mexa! ”, (pretendo continuar o fazendo desta forma). Não esperem que eu lembre e conte-lhes todas minhas histórias e poemas de cor, na verdade quero que leiam os poemas e me digam o quão bobo fui, e uma vez que crio coragem para compartilhar este que estava na caixa de sapato e que sei que estão a lê-lo, tratem de me enviarem ao buraco negro mais próximo, a tecnologia necessária para tal já deve estar acessível no tempo de vocês. Sabido que os amo, e o farei até quando tiver consciência de quem são vocês, agora vão viver a vida e deixem o velho ter seu Grand Finale.

Hilton Wesley Lacerda

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