Cinco passos para evitar o analfabetismo científico.

Ultimamente temos visto na prática, como o analfabetismo científico pode ser prejudicial a nossa sociedade. Nos últimos anos o número de adeptos as pseudociências e teorias da conspiração têm crescido. É fácil lembrar da onda de conteúdo sobre astrologia em 2015/16. - Busca por mapa astral e horóscopo na rede cresce, e astrologia volta à moda – Ou sobre os negacionistas do aquecimento global em 2016/17, e ainda a gigante visibilidade dos terra-planistas em 2017.
Todos esses casos possuem coisas em comum. São fruto de um analfabetismo científico prévio, junto á curiosidade natural que temos, alimentada pela facilidade de compartilhamento de informação que a tecnologia nos oferece.
Algumas dessas tendências podem parecer inofensivas, enquanto outras parecem ter uma maior importância. Porém todas são extremamente prejudiciais se levarmos em conta a capacidade delas em aprisionar mentes em bolhas. Boa parte desse conteúdo tem sua divulgação feita da forma perfeita para chamar a atenção daqueles que desconhecem o método cientifico e/ou pensamento crítico.
Nos últimos 3 anos, esse desconhecimento cientifico e interesse por pseudociências tem chegado a níveis superiores graças a internet, e agora interferem descaradamente em decisões politicas de muitos líderes.
É dever de todos repassar o conhecimento cientifico a nossa sociedade, e essa necessidade pode ser tanto por empatia ou por motivos próprios, afinal a sociedade não é problema exclusivo de ninguém.
Aqui vão algumas dicas para combater esses problemas.

1- Saia das bolhas sociais (digitais)
Temos tendência de manter contato nas redes sociais apenas com pessoas que pensam de forma semelhante, preferimos as páginas que reafirmam nossa “opinião”. É extremamente confortável usar as redes sociais dessa forma, porém é mais uma forma de condicionar seu pensamento. A dica é simples, procure a informação da forma mais aberta possível, siga páginas que produzem um conteúdo relevante e verificado, e não apague aquele amigo só por que ele faz postagens políticas divergentes das suas.

2- Não acredite em tudo que lê na internet.
No facebook conseguimos encontrar vários posts pseudo-científicos ou simplesmente desinformação, e muitas vezes, apesar de bem intencionados, algumas pessoas se deparam com esses posts e mesmo discordando, repassam ele em suas páginas, com algum tipo de texto apontando o problema. Porém, essa é a pior forma de combater esse tipo de disseminação, pois, de acordo com algumas pesquisas - 59 Percent Of You Will Share This Article Without Even Reading It - boa parte dos usuários de redes sociais apenas leem o título de posts compartilhados.

3- Procure informação em fontes primárias.
Hoje em dia muitos veículos têm simplesmente copiado e repassado informações, muitas vezes sem qualquer verificação. A dica aqui é tentar chegar a fonte primária. Apesar de não checarem a informação, as vezes, esses veículos repassam a fonte de onde tiraram a informação, e conforme forem acessando essas fontes, irão perceber o quão ruim são as réplicas feitas, muitas vezes com erros de tradução e alteram todo o contexto.

4- Leia constantemente artigos de revistas confiáveis.
Estar por dentro do que acontece no meio acadêmico de cada assunto é a forma mais fácil de se proteger de notícias falsas ou "teorias" de conspiração. Mas para isso, é preciso se informar através de fontes seguras, o que não significa estar livre de erros, porém, quando a informação é retirada de revistas sérias, sempre que houver um erro haverá uma retratação da revista e/ou de algum profissional da área. Além disso, essas revistas costumam ser muito mais visadas pelos próprios pesquisadores, fazendo com que essas tenham que filtrar os pedidos, e muitas vezes a revisão por pares é um desses filtros, o que garante uma revisão rigorosa.
• Science Magazine: http://www.sciencemag.org/
• Nature: https://www.nature.com/
• NASA: https://www.nasa.gov/
• OMS: www.who.int/
• CDC: https://www.cdc.gov/
• FAPESP: http://revistapesquisa.fapesp.br/

5- Sci-Hub.
Muitas vezes esses papers podem ser pagos, o que dificulta muito a pesquisa tanto para quem trabalha na área como principalmente para aqueles que apenas querem se informar. Sabendo disso, Alexandra Elbakyan do Cazaquistão, criou em 2011 o projeto Sci-Hub, que consiste em um site para desbloquear esses artigos de forma gratuita.
• Sci-HUB: https://sci-hub.tw/