Espetáculo

Cancela essa imagem que ces tem de mim
preto chave, favelado, deve ser ladrão
duro feito aço e uma pedra no coração
liga memo que lá em casa me tiram de chorão?
Olha bem pra minha cara, vagabundo
chei de ódio pelo mundo
correndo pra não virar defunto
e chorando vendo Marley e Eu?
É de foder, não é?
Sou maloqueiro caralho
e quando a preta foi embora
passava umas 50 hora acordado
só fritando no meu teto mofado
Mas na rua né não,
lá é Estilo Cachorro com Mente do Vilão
e as veiz nois faz cara de ze povin
quando passa o táticão
Mas ta ligado, de lei é fone de ouvido
semblante fechado, e eu duvido
que ces imagina que ta tocando:
"Mande um sinal,
dá um alô, dá uma chance pro amor
pois eu não to legal"
E se emendar os verso seguinte,
vixi, já recito chorando.
Mentira.
Não na frente de ninguém pra não dar pano
lá em casa ficam me tirano
mas me lembrando
que se emocionar no quiz
É cova rasa no São Luiz
E enxergar tudo isso aqui
de outro plano.
E de tanto prender noia
já que a vida acontece lá fora
Preto acaba surtano, osso
e ces imagina algo mais perigoso?
Não né, é nois que sofre
cancela, volta pra primeira estrofe
e eu testo minha didática
pra ver se sou mesmo estudioso
Se é que importa, né
e coisa e tal
Devem ta pensando:
que bonitinho,
ele é chave e sentimental
Mas eu duvido
que se amanhã me trombar
morto, caído
daria uma assistencia pro meu pessoal no funeral
Chora, neguin, chora sim
pros boy montar em cima de mim
E eu perder todo corre que fiz até aqui
pra vocês ter espetáculo
É que me ajuda sim, ajuda muito
subir no palco e olhar pra todos os culpados
e falar das minhas dor
Bate palma, escorre lágrima
mas o pai é Doutor
fuma do verde que cultiva em casa
e acha que dor
É não poder viajar no fim do ano
com camisetinha escrita "Ranço"
E eu brincando de ser Rei na beira do barranco
conhecendo a superfície por não ser o primeiro tombo
E pouco me importando se vou cair ou não
