muito tempo guardado

por que eu ainda leio aquela carta como se nunca a tivesse visto?
é como um presságio. eu ponho meus olhos naquilo e sei o que está por vir. mas minha mente mergulha num misto de nostalgia e ignorância.

de quem foi a culpa?
eu ainda lembro no dia em que li — num desses livros antigos, amarrotados e amarelados — que ninguém é inteiramente inocente e também não é inteiramente culpado.
isso remete a qualquer coisa que implica desgraças, brigas ou qualquer outra coisa que venha a complicar nossas vidas.

somaram-se os números que nem estavam tão altos assim.
mas pesaram. como pesaram…
aquela fragilidade escondida, aquela simplicidade obstruída pelo orgulho.
nos impediu de sorrir e admitir que errou.

as coisas não morrem assim tão fácil. apesar da peleja, acabo andando em círculo e, novamente, releio aquela carta como se nunca a tivesse visto.