Huaweei supera Apple. Mobilidade Urbana tem viabilidade?
Autores: Diogo Caldas e Nuno Marques | Agosto de 2018
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Como prometido, estamos de volta!
WC | CO: Que eventos Tecno mais marcaram este mês?
NSM: Agosto foi um mês interessante em Silicon Valley enquanto se aguardam os novos iPhones, a Huawei superou a Apple na venda de smartphones… Depois temos a discussão aquecida sobre futuro da Tesla, depois do anúncio de Elon Musk querer tornar privada a empresa, todos começaram a reavaliar os seus investimentos. A ideia de lojas sem caixas de pagamento parece ter vindo para ficar: Zippin desenvolveu uma tecnologia que rivaliza com Amazon GO. Por trabalhar em nutrição, não queria deixar de falar no lançamento da SquareBaby, site de compra online de comida para bebés customizada para ter todos os nutrientes. Por último, Salesforce tem estado em grande desde o lançamento da Einstein (a plataforma AI que permite optimizar Performance Marketing e CRM) o que também beneficiou o crescimento da sua plataforma core.
DC: Nota que a Huawei (juntamente com ZTE) nem sequer é bem recebida no mercado americano, tendo “má publicidade” nomeadamente por parte das agências federais como o FBI, CIA e NSA que consideram os produtos da marca como potenciais ameaças à privacidade e segurança, por alegadamente terem software “espião” ligado ao governo chinês. Por essa razão, o dado de vendas que acabas de referir ainda é mais impressionante.
Mas vamos a um outro destaque, e que foi o lançamento do Facebook Watch. Não é novidade nos US. Mas no dia 30 foi lançado em todo o resto do mundo. O lançamento da plataforma tem importância para o Facebook em si próprio, mas principalmente para toda uma comunidade de criativos, produtores e detentores de conteúdos. O Facebook Watch permite a partilha de receitas de conteúdos entre todas as partes. E isso é uma novidade no contexto Facebook, onde a plataforma apesar de ser geradora de negócio para muitas das entidades que lá circulam, nunca partilhou das suas receitas com terceiros. Uma alternativa ao Youtube para os Creators colocarem os seus conteúdos.
WC | CO: Que significa para ti Mobilidade Urbana e quais os principais avanços?
DC: Na minha Costa Oeste a nova mobilidade urbana inclui um série de inovações, não muito diferentes daquelas que se verificam nos US, apenas com a excepções dos “self driving”. Funcionam bem serviços de: carsharing, ridesharing, bicicletas partilhadas, carros elétricos e motas elétricas partilhadas, tanto em cidades mais planas como Londres ou Madrid, mas também em cidades mais acidentadas como Lisboa. Os motores elétricos acabaram definitivamente com a dificuldade das colinas de algumas cidades europeias.
NSM: Sempre achei que a Costa Oeste Europeia tinha sido desde cedo inovadora: já usei por aí soluções com a GreenWheels, Carpooling, blablacar, Car2Go, DriveNow, mas que também sempre contaram desde o seu lançamento com forte apoio local... achas ainda se depende muito do apoio do Governo ou das Câmaras para ser viável?
DC: A maior parte está implementada. Vejo sempre maior dificuldade na aceitação dos “self-driving” … em auto-estrada mais fácil, mas difícil nas ruas tortuosas de uma boa parte das cidades europeias. Não é impossível, só levará algum tempo.
Algo diferente na tua West Coast? Que novidades em termos de mobilidade? Recentemente a Uber comprou a Jump Bikes e está com uma pressão enorme para se desfazer do departamento de veículos de condução autónoma, pelos vários acidentes que teve. Qual te parece ser o caminho?
NSM: Mobilidade urbana é um problema sério para quem vive no Vale de São Francisco. Para além do trânsito constante, onde construir mais estradas ou pontes não será suficiente, e as soluções de transporte publico estão claramente desajustadas da realidade, o que gera uma procura natural para as diferentes plataformas de partilha da deslocação (i.e. Uber, Lyft, Via, RideArro, Zipcar, Ofo, Lime) e por isso , apesar de já ser elevado o número de pessoas que as usa, a sua utilização vai continuar a crescer pois o problema está longe de ser solucionado. E, infelizmente, nem todas as alternativas, como a Sitbaq ou SocialDrv, tiveram a sorte de se estabelecer.
No entanto a inovação mais forte parecem vir antes da “digitalização” do automóvel: para além de imensos Teslas na rua, é habitual ver carros da Waymo conduzindo sozinhos. Ainda mais interessante seria entender o modelo de negócio destas empresas e ver como o verdadeiro valor de capitalização destas empresas têm como a própria eletrónica como principal activos, no sentido de programação mas mais ainda na construção de bases de dados que permitem analisar comportamentos e tirar dai proveitos. Não é de estranhar que apesar de rivais, a Facebook, Twitter, Uber e Lyft colaborem para tirar proveito destas informação.
DC: Não falaste em Scooters … um meio de transporte não tão alternativo?
NSM: As mais famosas São as bicicletas Ofo e as versões bicicleta ou skooter elétricas da Lime. Eu tenho bastantes dúvidas sobre a viabilidade destas plataformas, e já está instalada a controvérsia: desde roubos, falta de pagamento aos fornecedores a falta de apoio das cidades (i.e. Dallas proibiu a operação da Ofo), etc. Mesmo os programas de rideshare (ideias para longos percurso) não estão bem solidificados.
Até breve! Ride safe!
