Hoje, eu deságuo aqui.

Quanto mais os dias passam e mais claras as noites ficam, maior é a dor de sentir o tempo e tentar (re)significá-lo copiosamente.

Escrever dói.

E dói porque sentir em demasia, dói também.

Faz tempo, entendi: não sei desapegar. De tudo e todos, não me despeço vazio. Carrego, sempre, ao menos um verbo. Daqueles que rompem. Transbordam. Transtornam. Deságuam em madrugadas — águas nem sempre tão calmas. E me levam pra longe. Pra dentro. Relento.

Em instantes de encontros. Memórias. Demoras: torrentes em saudades.