Eu já fui machista

Eu já fui machista. Eu já xinguei uma mulher de “puta” por ela ter ficado com mais de um cara em uma festa. Eu já fiz piadas de mau gosto com a sexualidade alheia. Eu já deixei de usar uma roupa porque ela era muito curta, não sou puta sou “mulher direita”. Eu já critiquei mulheres que estavam acima do peso “ideal”. Eu achava que se uma mulher não arrumasse um namorado fixo até os dezessete anos ela nunca iria se casar. Eu já deixei de me sentir bonita porque era muito segura de mim, porque essa vaidade e essa segurança eram erradas. Eu apoiava e romantizava relacionamentos abusivos, porque no fundo “eles se amavam”. Eu já fui tantas coisas que não me orgulho hoje.

Fui criada para ser a menina perfeita: Senta direito, fecha essas pernas, cobre esse decote, você é uma mulher aja como tal, esse batom tá muito escuro pode tirar, fecha esse sorriso mulher tem que ser misteriosa, olha para frente, abaixa a cabeça, não responde, respeito, ele é seu pai, não tem saída quando você sair de casa abandona seu pai e tem que obedecer seu marido, toma aqui essa boneca, mulher tem que ser mãe, você tem que casar, aprender a cozinhas e cuidar da casa, honra o teu Deus, respeita os homens, não seja malcriada. Era a educação patriarcal perfeita.

Bendito o dia que me empurraram frente ao feminismo, cai de joelhos. No início foi duro, foi complicado perceber que tudo aquilo que tinham me ensinado era uma ideologia de coleira, foi difícil compreender que homens não gostam de ensinar por medo, medo de serem passados para trás, medo de uma mulher assumir o lugar dele, medo de uma mulher fazer tudo o que eles fazem com a gente, mas a cima de tudo medo de não obedecermos e temermos suas ordens.

Ser feminista foi muito mais além do que reconhecer que ser mulher vai muito mais além daquele ditado “Por trás de um grande homem, sempre tem uma grande mulher”, ser feminista me mostrou que nenhum gênero tem que ficar na frente ou atrás de alguém, somos pessoas, humanos, temos vidas, diferentemente do mercado de trabalho o gênero não é composto por hierarquias, todos tem que andar lado a lado. Ser feminista não me ensinou a buscar só pela tão sonhada igualdade sexual, ser feminista me mostrou um mundo que antes não era capaz de enxergar porque estava com os olhos vendados.

Foi com o feminismo que descobri que uma mulher não é puta, piranha, biscate, vadia, porque ela beijou um cara sem ter nenhum sentimento por trás, foi com o feminismo que eu aprendi que sexualidade não é motivo de diversão alheia, foi com o feminismo que eu aprendi que não se torna homossexual nasce-se homossexual, foi com o feminismo o que é preconceito, foi com o feminismo que aprendi tantas coisas que antes não sabia nem que existiam. O mais importante, foi com o feminismo que aprendi a ter voz, foi com o feminismo que aprendi a gritar, foi com o feminismo que aprendi a lutar, foi com o feminismo que aprendi a não abaixar a cabeça para ninguém, foi com o feminismo que aprendi a ser arrogante — e arrogante com orgulho, foi com o feminismo que aprendi a quebrar regras, e foi com o feminismo que aprendi a correr atrás dos meus sonhos sem se importar com o que as pessoas achariam.

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