Essa geração millennial, me confunde. Faço parte dela, talvez pelo simples fato de que todos não se adaptam, são engolidos pela multidão. Sempre gostei de ser uma pessoa analógica, cadernos, relógios, cartas e livros. Mas tudo parece bobo e pretensioso nesse mundo de e-mails, e-readers, smartphones hipercompletos e afins. Me adaptei? Sim, me adaptei. Uso várias ferramentas no dia a dia, pra estudo e trabalho.

O que mais me incomoda nessa geração, na minha geração, é o fato de que nascemos em uma era nova onde tudo é surpreendente e segue se desenvolvendo; tudo é smart de alguam forma e traz resultados avassaladores. O engraçado é que esperavam isso de nós também. De todos nós.

Não era de se esperar que aquela criança boa em matemática virasse um engenheiro de software muito bem sucedido? Aquela adolescente que adorava escrever e era nota dez em humanas conseguisse uma carreira literária notável? E aquela bailarina de 9 anos, sempre impecável e maravilhosa com um futuro brilhante, ela nao deveria estar no Bolshoi?

Fomos todos superestimados. Alguns lidam com isso de forma relaxada e descontraída, escondidos atrás de suas startups de aplicativos de relacionamento, ou sendo um digital influencer de zero influência no submundo da vida real. Outros tentam nadar junto com a correnteza, se adaptando às tecnologias, as especializações, aos MBA’s, aos idiomas, correndo sempre para chegar em algum lugar que seja parecido com o sucesso. Mas no final do dia ainda não se sentem parte de algo, ou donos de algo, criadores de sua própria história.

Fomos condicionados a criar super metas, a sermos super produtivos, a nos superarmos a cada dia e tudo bem você não ter se tornado o próximo Steve Jobs, desde que suas redes sociais mostrem que você está correndo atrás do sucesso.

Essa geração não foi criada para lidar com a mediocridade.

Sinceramente, aqui vai a verdade: estar abaixo da média é muito mais atraente, muito tentador. Nesse lado da moeda, existem indivíduos preocupados em fazer uma boa refeição, pagar o aluguel, terminar de ler o livro da semana passada e alimentar os gatos. Se desprender do incrível e marcar pontos no mentalmente saudável tem atraído a muitos. Quem sabe uma grande parcela dos nossos companheiros desacelere, para dar oportunidade das gerações futuras entenderem que existem outras coisas que precisam ser desenvolvidas no mesmo ritmo da tecnologia. Uma boa noite de sono por exemplo.

O sucesso tem formas diferentes. Às vezes ele está disfarçado de mediocridade.