The brazilian man who went to Italy #EP02

O quanto a gente está sofrendo com o jet lag, como foi a visita à fantástica vinícola La Roncaia, a viagem até Collio, a Escola de Mosaicos e a não-movimentada noite de Spilimbergo.


O segundo dia foi descaralhante. Acho que esse adjetivo expressa bem o que estamos sentindo. Mas nem tudo são flores… Após uma viagem de 30 horas, sob um fuso horário com 5 horas de diferença para Brasília, o jet lag nos pegou em cheio. Devo admitir que eu não fui tão impactado e estou conseguindo ~me livrar das garras desse cansaço gostoso~ (manjadores manjarão). Flávia também está conseguindo se acostumar. Já o Sérgio não teve essa mesma sorte e é quem mais está sofrendo com esse efeito (apesar de ser quem mais agita para - em bom capixabês - sairmos "pros rocks"). Entretanto, esse não é um problema realmente grave, considerando o dia fantástico que tivemos.

Dia esse que começou cedo, diga-se de passagem. Tomamos aquele café da manhã maroto (recheado a presunto infinito) e fomos para estrada! A missão que Stefania preparou para nós era conhecer a vinícola La Roncaia e degustar algumas de suas preciosidades (como diz meu amigo Gabriel, 'não tá difícil pra ninguém, viu?'). Vale lembrar aqui que ainda não conhecemos a fundo a vinícola alocada em Spilimbergo (devido aos atrasos do primeiro dia, postergamos para sexta-feira - terceiro dia - a visita completa), ficando limitados a área externa e a guesthouse em que estamos hospedados. Digo isso porque, ao chegar na La Roncaia, ainda não tínhamos noção do quão diferente eram. Lá a produção é limitada, com cerca de 60 mil garrafas (descobrimos depois que a Fantinel produz quase 5 milhões!), em um processo muito mais manual. Degustamos 3 vinhos bárbaros e ainda fizemos um tour rápido por ali. Nessa parte tive um probleminha, pois havia muitas abelhas e eu tenho um puta trauma com elas. Então eu congelei por alguns segundos (o que foi um momento muito engraçado - para eles, claro) e evitei me aproximar muito de onde tinha abelhas. :/

Logo após, continuamos na estrada pelo nordeste da Itália. Cara, é indescritível como é bonito o caminho. A viagem era razoavelmente longa então Sérgio, ainda sofrendo bastante com o jet lag, aproveitou para dormir no carro. Já Flávia, aproveitou para curtir a paisagem e tirar fotos (muitas fotos… É impressionante como ela gosta de tirar fotos hahaha). Enquanto isso, aproveitei para conversar bastante com Stefania. Foi bem legal, porque conversamos sobre uma série de assuntos diferentes (desde as diferenças culturais de nossos respectivos países até sobre a fábrica da Fiat no Brasil e o problema com os carros da Volkswagen na Europa). Aproveitei para mostrar também uma série de músicas brasileiras a ela e prometi montar uma fucking awesome playlist no spotify com as melhores - como Mc Livinho, Mc Romeu e o lendário Mr Catra. Brincadeira. O curioso é que ela já conhecia Maria Gadú (mais do que eu, inclusive) e realmente gosta bastante!

Depois de um bom bate-papo e alguns kilometros de chão e paisagem bonita, finalmente chegamos aos vinhedos da linha Tenuta Sant'Helena, em Collio. Lá venta de forma deliciosa e é provavelmente uma das vistas mais apaixonantes que já vi! O curioso é que fica na divisa com a Eslovênia. Perguntei à Stefania se, devido a proximidade, era comum ter muitos eslovenos (?) naquela região e vice-versa. Ela disse que não, mas havia alguns casos, claro.

Almoçamos no restaurante da Tenuta Sant'Helena, naquela área mesmo, e foi uma refeição fantástica (e gorda). Carne de pouco, costela, polenta, uma espécie de purê de batata com bacon e uma massa feita com um queijo local misturada com batata (fenomenawesome, não vejo a hora de preparar - ou tentar - esses pratos quando chegar no Brasil). Foi um almoço bem heavy metal e durante a volta para Spilimbergo pesou bastante. Eu e Sérgio tombamos rapidinho.

A próxima parada foi a Escola de Mosaicos de Friuli. Se eu não estiver viajando (com o perdão do trocadalho do carilho), foi a primeira escola de mosaicos do mundo (ou da Itália, não ficou muito claro haha), fundada em 1922. É meio difícil de descrever o que vimos, pois era muita coisa. Incríveis mosaicos de todos os estilos, do bizantino ao romano, estavam expostos pelas paredes da escola. Ah, por ser uma escola, obviamente que havia salas de aula e pessoas estudando por lá. E quando eu digo estudando, quero dizer que estavam quebrando infinitas pedrinhas e fazendo os mosaicos. Tem que ter uma paciência de Jó pra fazer esse trampo, cara! Embora o resultado seja sensacional. Enquanto visitávamos a escola conhecemos uma professora que, curiosamente, era brasileira. De São Paulo, especificamente. Ela (com seus olhos gigantes, típicos do mangá japonês) veio estudar na escola em 2005 e ficou. Hoje é professora lá e o seu português já é carregado do sotaque italiano. Foi engraçado, porque Stefania disse que tinha entendido tudo que ela havia falado (em português, claro) e achou que era um sotaque típico de São Paulo. Expliquei que não era o sotaque de lá, justamente por faltar algumas coisas como terminar as frases com "meu", "mano" e (erroneamente) chamar biscoito de bolacha hahaha. (Brincadeira, não falei isso com ela haha).

Vale a pena demais dar um rolê por essa escola!

Ao sair da Escola, tivemos a notícia de que minha mala havia sido encontrada e já fora encaminhada para a vinícola. Abrimos um prosecco para comemorar (mentira, mas bem que merecia). Chegamos lá por volta das 17h da tarde e o Sérgio nos agitou para conhecer a noite de Spilimbergo (sim, o mesmo Sérgio ferrado pelo jet lag). Stefania, que tinha um compromisso a noite e não poderia nos acompanhar, indicou onde era Corso Roma, a principal rua da cidade e onde havia os principais bares. Ela disse que as lojas costumam fechar as 19h30 e que não tinha muito movimento a noite…

Bom, Vitória também é uma cidade pacata e estamos acostumados com pouco movimento, então tudo bem, pensamos. Fomos lá por cerca de 21h e fomos surpreendidos. Parecia uma cidade fantasma! Praticamente ninguém nas ruas ou nos bares, apesar de vários deles estarem abertos! Cheguei a perguntar para um senhor onde estavam as pessoas da cidade e a resposta veio logo: Em lugar nenhum. Logo em seguida, respirou dramaticamente e repetiu de forma apocalíptica: Em. Lugar. Nenhum… Foi bem engraçado. Bom, já que estávamos ali, pensamos em comer uma pizza em alguma pizzaria aberta nas redondezas. Aproveitei que estávamos em diálogo com o senhorzinho profeta do apocalipse e perguntei onde havia uma pizzaria aberta pra gente sentar e comer. Logo veio outra resposta incrível: "Vocês podem andar reto por, sei lá, 100 metros e aí, quando sentir um cheiro delicioso, virem a direita". hahahah Seria engraçado de verdade se tivéssemos encontrada a pizzaria, mas não. Fomos 'dibrados' de novo. Ao invés disso, acabamos por pedir uma porção de frango frito em um restaurante chinês (como poderia dar errado?). Estava longe de estar bom, claro.

Devo ressaltar aqui que, apesar de ter sido uma nítida furada essa tal noite de Spilimbergo, foi extremamente divertido e eu teria feito tudo de novo. Andamos um bocado e curtimos a arquitetura local. Voltamos para casa, abrimos uma garrafa do delicioso Frontiere e ficamos bebendo e conversando até tarde (suavemente alcoolizados).

Esse foi o relato de mais um dia descaralhante aqui na Itália. Não sei ainda muito bem como agradecer a Fantinel e a Wine por toda essa experiência! Esse post está saindo um pouco atrasado porque a agenda está cheia, e não está sobrando muito tempo para escrever! Espero que não tenha sido muito maçante!

Um poderoso abraço, direto de Udine! Até a próxima!

Grazie!

Confira todos os episódios:

1 — The brazilian man who went to Italy #EP01

2 — The brazilian man who went to Italy #EP02 (é esse aqui, cabeção)