
Sobre Auto-ajuda e Preconceito
“Coisas ruins vão acontecer. O que importa é como você lida com isso.”
Eu sempre achei frases como essa inspiradoras. Livros de auto ajuda com frases semelhantes sempre me pareceram (e foram) muito úteis… Até estacar diante da primeira piadinha sobre tais livros e as pessoas que os liam. Não tenho certeza, mas acredito que foi na faculdade, na aula de um professor que eu realmente admirava.
Me senti inferiorizada porque, afinal, eu era uma dessas pessoas! Então, sem nem me dar conta, acabei entrando na onda desse preconceito. Só percebi quando uma amiga, após ler um dos meus textos dessa natureza — que são, de fato, bem auto-ajuda: a famosa “escrita terapêutica”; quando eu escrevo pra ME lembrar de continuar, nada mais — , me disse algo do tipo “Um dia você vai ser uma escritora de livros de auto-ajuda bem famosa!” e ao invés de sentir isso como um elogio, murchei um pouquinho por dentro.
E então hoje, pela primeira vez, tive um pensamento só meu a respeito: frases assim são simples, reais, mas a droga dos livros inúteis de auto-ajuda (porque SIM, há livros úteis de auto-ajuda, seus críticos medíocres fiscais de felicidade alheia!) e do descrédito que eles recebem, acabam tirando o valor de palavras que poderiam ser TÃO poderosas. Eu quis dar um chute na cara dos responsáveis por isso, todos eles, de escritores mal intencionados à críticos vazios e metidos à “cult”. Até mesmo na minha, por acreditar e seguir isso sem questionar… Mas comecei o ioga dia desses, calma lá, a flexibilidade ainda não é tanta (era pra ser um alívio cômico… Uma hora eu acerto rsrs.).
Enfim, isso tudo me fez pensar na responsabilidade que temos quando escrevemos algo destinado a “ajudar as pessoas”. Estamos realmente fazendo isso quando simplesmente colocamos frases como essa aqui e ali, pra ficar mais sonoro, mais impactante, mais insira-um-adjetivo-legal-aqui…? Ou estamos matando o valor de frases sérias, de vivências poderosas que mudariam muito a vida de alguém caso essas palavras não estivessem tão gastas, tão simplesmente empregadas pelo senso comum “do bem”?
Eu gostaria de, ao menos em mim, reapresentar o valor de frases como essa. Perder a repulsa aprendida dos materiais de “auto-ajuda”, afinal há trabalho sério nessa categoria, gente que realmente se importa. E existe coisa mais importante que entender que se eu não quiser/puder me ajudar primeiramente, não há ajuda no mundo que me faça sair do lugar?
Eu quero parar de desanimar diante de um “Você precisa acreditar mais em si mesma”. Porque isso não é besteira, é o básico. Eu quero parar de usar isso a torto e a direto também, sem cuidado, sem me certificar que o momento exige e que eu tenho argumentos muito bons pra sustentar essas palavras.
Eu quero essa sobriedade. Essa sabedoria de entender tanto em tão pouco. Essa “inocência” de acreditar no melhor — de mim, das pessoas e do mundo, sem me sentir menor ou fútil por isso. E quero um dia poder delinear e separar bem a crítica aos “livros bobos de auto-ajuda” do material de auto-ajuda que realmente ajuda: que não é pra parecer bonito apenas ( afinal, quem sou eu pra fingir que não aprecio a beleza de um bom texto), mas pra ser útil, pra nos atravessar, firmar ao menos um pouco nosso pé no chão e fazer com que possamos ver que, na realidade, o que nos mantém de pé é nossa própria vontade e coragem.
Auto-ajuda deveria significar Coragem.
