Síndrome de Fênix

No meio da estrada eu me sentei sobre uma pedra

Não sou criança, não sou jovem

Nem adulta nem velha

No meio da estrada, eu sou o limite

Sentada sobre a pedra, com tanto medo, com tanto tempo…

Já me sinto pedra também

(Parece que desaprendi a correr)

Eu vejo a face da morte

E ela está triste

Porque vez ou outra meus braços se estendem querendo tocá-la

Não importam os 23 anos “perdidos”

Ela ainda me vê como uma criança…

(Parece que desaprendi a criar — e me recriar)

No centro da cidade

Fiquei feliz por não me molhar com a chuva

Dentro de mim a criança que dançava com as gotas nas folhagens

Chora pela adulta que se esqueceu que a chuva é mãe do florescer…

(Parece que aprendi a definhar)

Será que eu tenho que constantemente me quebrar

Me destruir, me desmembrar, me bagunçar

Pra juntar os pedaços depois

E sentir nisso o alívio estéril de uma suposta evolução?

“A Fênix mais desnecessária que já existiu” — que grande título…

Cansei de ser Fênix

Cansei de me vender só pra ter pra onde retornar

Eu quero me jogar como quem não tem nada a perder — porque não tenho

Eu quero chorar como quem não tem reputação- porque não tenho

Eu quero que as luzes se apaguem no meio da atuação- porque nunca fui boa com finais….

Que eu me torne cinzas, mas só pra voar mais alto

Não preciso renascer: só viver o suficiente

O mundo já está cheio de Fênix’s

Eu só quero ser eu mesma

E fazer ao menos um pouco do bem que já me fizeram

Já é tarde demais?

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