A influência midiática na vida de um atleta e no cotidiano de um clube de futebol

É inegável o poder que a mídia carrega dentro do futebol brasileiro e mundial, ela é capaz de influenciar quem vai ser um ídolo e quem não vai ser, independentemente do que acontece dentro das quatro linhas do gramado. Embora que um atleta hoje em dia seja considerado um excelente jogador tecnicamente, se ele não vender obviamente seu caminho para o sucesso será muito mais trabalhoso.

Dinheiro, sucesso, fama e reconhecimento certamente é o sonho de qualquer jogador profissional, tanto no Brasil como em todo o planeta, jogar em grandes equipes da Europa, e ser convocado para seleção de seu país é um sonho em comum de toda promessa dos gramados, porém o cotidiano de um atleta sempre será ocioso, muitas vezes é amado e idolatrado por sua torcida, mas também pode ser odiado por ela, e isso muitas vezes não depende apenas do seu rendimento nos jogos, mas também o que ele faz fora do campo de futebol, e da repercussão que a mídia dará a suas atitudes.

Imagem retirada da internet

Pelé foi um grande craque do futebol, considerado o maior de todos em boa parte do mundo, seu talento é inegável, mas também sempre foi um jogador idolatrado pela mídia, de fácil acesso, e exemplo de atleta. Garrincha também foi um grande talento de nosso país, porém sempre teve dificuldades com a imprensa, e nunca foi nenhum exemplo fora dos gramados, fumava e bebia ao mesmo passo que driblava os adversários.

O futebol se tornou um grande fenômeno midiático, dirigido pela imprensa, que carrega consigo o poder de determinar o bom, o ruim, o certo e o errado. Em entrevista por e-mail com o ex-jogador Tcheco, que atuou em grandes clubes do Brasil como Grêmio, Corinthians, Santos, e Coritiba, além de passagens pelo exterior, o meia nos contou um pouco sobre como a mídia pode influenciar positivamente e negativamente dentro dos vestiários de um clube.

Tcheco atuando pelo Grêmio em 2007
“Tanto positivo quanto negativo, a imprensa por ser uma formadora de opinião e ter uma exposição muito grande, consegue ter essa influência dentro do cotidiano de um clube. Quando as coisas estão boas, basta divulgar alguma coisa negativa, que isso pode tomar uma proporção que atrapalhe o ambiente de trabalho. E caso o clube não esteja bem, basta tocar em algum assunto positivo pra desviar o foco do negativo, o atleta vai depender muito da personalidade dele, tem jogadores que sentem e outros não”

Quem não se lembra de Keirrison? jovem revelado pelo Coritiba, e que explodiu no futebol Brasileiro em 2009 jogando no Palmeiras, foi fortemente exposto e valorizado pela mídia como a promessa de um novo Ronaldo, e então no mesmo ano foi vendido para o Barcelona da Espanha por R$ 38 milhões, e desde então o atacante nunca mais se firmou em uma equipe, foi emprestado para diversos clubes da Europa, hoje foi anunciada a volta do atacante ao Brasil, onde defenderá novamente a camisa do Coritiba.

Nesse ano novamente vivemos um grande exemplo de influência midiática na vida de um jogador, Vinícius Júnior, atacante de 16 anos do Flamengo, pouco jogou no time principal, mas foi o suficiente para ser noticiado como promessa pela imprensa brasileira, após dois jogos no time principal, o jovem garoto carioca que ainda não marcou seu primeiro gol como jogador profissional, foi vendido para o Real Madrid da Espanha por 45 milhões de Euros, a segunda venda mais cara da história do futebol brasileiro, ficando atrás apenas de Neymar, vendido para o Barcelona em 2012 por 57 milhões de euros.

Vínicius Júnior atuando pelo Flamengo

Para falar um pouco mais sobre a influência da mídia dentro do futebol, conversamos um pouco com o professor de Radiojornalismo e doutorando em comunicação na UERJ, Filipe Mostaro, que contextualizou a história do futebol e mídia juntos, sua influência dentro do cotidiano esportivo, o papel social da mídia no futebol, além de expor sua opinião sobre a posição dos jornalistas esportivos atuais. Para Filipe “Se a imprensa tem esse poder muito forte de causar enquadramento e determinar o bom, o certo, errado, fantástico, craque e ruim, então os grandes clubes serão aqueles que terão as transmissões pelos veículos de comunicação. Por mais que os meios de comunicação tentem influenciar, a recepção do torcedor será completamente diferente”

Para conferir a entrevista na integra, ouça o podcast.

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