“A aLtoestima de cada dia nos dai hoje”, uma leitura sobre o valor Humano

https://studieverenigingsechel.wordpress.com/2015/03/12/de-bijbel-in-blokjes/

Estive lendo um pouco sobre a imagem que há impressa no ser humano. O texto de Gênesis 2, 7 conta que Deus cria o ser humano usando a terra como matéria prima. Adão (אדם) é o ser humano criado por Deus a partir do solo (Adamah, אדמה). Observe a semelhança entre as palavras Adão e Adamah. Isso ocorre porque ambas tem a mesma raiz hebraica (אדמ), o que nos permite concluir que da mesma forma como o ser humano foi criado da substância do solo, a palavra que o nomeia vem do mesmo chão.

No texto de Gênesis 1, 26 vemos Deus convocando a Trindade Eterna para criarem o ser humano tomando como referencia “nossa imagem e a nossa semelhança”. Ser humano é Adão. Essa é a palavra usada no versículo 26. Por conseguinte no versículo 27 o narrador diz quem é o ser humano criado à semelhança de Deus: o masculino e o feminino (os gêneros). Por esse motivo a continuação do versículo 26 diz (no plural): “que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Adão é a espécie humana criada da substância terrosa do chão da terra, homem e mulher.

Nós somos a imagem de Deus. O Criador nos criou dessa forma, isso é o que somos! É uma parte indissociável da nossa existência. Somos a imagem de Deus. Todos somos. Incluindo o amor da sua vida, seu arqui-inimigo, sua tia e o concorrente à vaga que você deseja, quer seja no Enem, quer seja para trabalhar.

O conceito, eu sou a imagem de Deus, é um ótimo motivo pra cantar que eu sou “um espelho”, refletindo “a imagem do Senhor”. Todavia, aquele que “me viu passando pela prova e não me ajudou”, também é “um espelho que reflete a imagem do Senhor”. Desse modo, assim como será possível ver Jesus brilhando em mim, quando eu estiver no palco, eu também poderei ver Jesus brilhando em quem estiver “entre a plateia”. [se você não conhece as músicas Raridade e Sabor de mel, esse parágrafo não faz mesmo nenhum sentido. Clique nas palavras sublinhadas e curta sem intervalos]

A doutrina da imagem de Deus (imago Dei, para os juristas) valoriza a mim, valoriza a ti, valoriza a nós. Valoriza até os outros, os que estão além, e aquém, das muralhas geladas do reino de Deus que eu ergui pra mim.

A imagem de Deus está em toda criatura humana, independente do gênero. Ainda que Deus tenha criado apenas 2, e nós demos conta de multiplicar esse número 70x7. Quem sabe para assim não esquecermos de perdoar as pessoas.

No evangelho de Mateus 19, 7–8, Jesus disse que Moisés permitiu o divórcio por causa do coração mal e endurecido dos homens e mulheres que estavam junto com ele caminhando pelo deserto (Deuteronômio 24, 1–3). Contudo, eles não eram os únicos maus da história, eu também sou. Nós continuamos sendo maus. É uma questão da espécie humana, uma circunstância da vida da gente. Nós Pe-ca-mos. Como bem disse o reformador-raiz Neemias em sua oração a Deus, “eu e a casa de meu pai pecamos” (Neemias 1, 6). Orou essas palavras enquanto vivia em cativeiro, ainda que não tenha contribuído em nada para estar lá.

A imagem e semelhança de Deus (suas criaturas) cometeu a torpeza de questionar-se sobre Deus. “Certamente não morrerás” (Gênesis 2, 17), foi o que o bicho tentador disse a espécie humana, nossos pais Adão e Eva. Os quais acolheram em suas orelhas as primeiras pulgas metafóricas na história. Curiosamente, o ardiloso animal também havia sido criado por intermédio da palavra geradora do Deus Eteno. Criaturas rebeldes

Que auto-estima pode, então, haver em mim, diante de um espelho histórico, no qual estão refletidas as finitudes incompreensíveis que a escolha pelo pecado me deu? Há algum valor nesse interior incompleto e arrebentado pela auto-escolha que fizemos pelo pecado?

A aLto-estima (que vem de cima) me diz que:

Não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e coerdeiro [nova grafia] de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. (Romanos 8:15–17)

Restaurada a minha relação com Deus, rompida pela distância que o pecado nos impugnou, sou adotado como filho adquirido de Deus. A bíblia em toda sua extensão não menciona que a salvação por meio de Jesus Cristo tem algum efeito sobre a criação do homem à imagem de Deus. De modo que o efeito da salvação não se sobrepõe ao da criação. Os salvos não são superiores aos não-salvos. Os salvos são sacerdotes reais, como o apostolo Pedro disse (1ª carta de Pedro 2, 9), incumbidos de um serviço, com um propósito: “proclamar as grandezas daquele que vos convocou das trevas para sua maravilhosa luz”. Os salvos devem servir.

A estima que a bíblia me ensina é que eu, juntamente com toda a torcida do Flamengo, a Câmara dos Deputados e os, chamados, extremistas islâmicos somos todos criados “à imagem, e conforme a semelhança” do nosso Deus (Gênesis 1, 26). Sendo assim, somos todos almas viventes, criaturas desse criador, realizados por tão nobre consenso (Gênesis 1, 26). Temos, por exato motivo, valor inegociável. Não pode ser apagado nem pelo mais tenebroso “vale da sombra morte” (Salmo 23, 4).

Outra estima que a bíblia me ensina é que por Cristo eu sou um filho de Deus, (i) salvo do caminho pecaminoso que eu mesmo escolhi para minha vida (o pecado que me povoa); e (ii) consequentemente servo anunciador do Reino de Deus, que não é meu e que não é como eu gostaria, mas sim como eu aprendo a almejar. Um reino de co-servidores-irmãos e amigos.

A estima que tenho, não é só minha, não é só auto, não é apenas meu valor. É o valor de toda a criação, que nada mais é do que o valor de Deus.

“Cristo em vós, esperança da glória” (Colossenses 1:27).

That’s all.

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