O UBER, a segurança no transporte e a cultura do consumidor

Ultimo sábado eu peguei um Uber. O motorista foi ao longo do caminho reclamando de que os Ubers não davam segurança ao consumidor, disse que ele trabalhou com transporte escolar por um bom tempo e que sempre havia fiscalização e que os taxistas também viviam fazendo revisões em seus carros.

Em primeiro lugar me estranhou que esse motorista estivesse sem cinto quando ele veio me pegar, e eu que o aconselhei a colocar o cinto (não o contrário)

Em segundo lugar me estranhou alguém que faz Uber reclamando do próprio serviço prestado por Ubers.

Vendo que a conversa começava a caminhar no caminho da regulação, eu prontamente levantei algumas questões.

A primeira delas é que eu, enquanto consumidor, não me importava de ter um pouco menos de segurança se fosse para ter um transporte mais barato. E eu levantei o problema de que muitas das regulações bem intencionadas voltadas para a segurança dos veículos de transporte comerciais impõem condições arbitrárias sem levar em consideração a economia.

Segurança é bom? É. Mas venhamos e convenhamos que, ao menos que nós não queiramos tornar os transportes comerciais acessíveis apenas para os ricos, os custos incorridos em gastos com segurança devem ter um limite.

Nunca faltará medidas de segurança adicionais que algum burocrata achará de plena necessidade implementar, muito embora o consumidor não exatamente se importasse com isso. Ora, por que não exigir que toda a frota não apenas possua 4 airbags, mas também possua um sistema computadorizado de freio e direção especializado em prevenção de acidentes? Por que não exigir que todas as frotas possuam um kit de primeiros socorros na mala pra caso o cliente tenha algum ataque? Por que não exigir, de quebra, que os clientes usem todos capacetes, só por precaução?

Existem tantas medidas de segurança quanto a imaginação de um burocrata forem capazes de criar. Todas devem ser impostas? Não! Querer melhorar a segurança dos transportes pode ser uma intenção positiva, mas se essa melhora vier a custa de diversos empregos e de uma parcela significativa dos consumidores (sem contar em uma diminuição nem tão substantiva dos acidentes assim), será mesmo que o trade-off faz sentido?

Por que não deixar que o zelo do motorista pelo seu carro, motivado pelo receio de sair do mercado caso algo dê errado, e a preocupação natural do consumidor com a sua própria segurança estabeleçam qual é o melhor trade-off?

Isso sem ainda levar em consideração todas as motivações espúrias por trás dessas regulações, como criar uma reserva de mercado para manter os preços artificialmente altos.

Mas então, nessa altura do campeonato, eu me toquei que eu estava sendo meio bobo. Não que o que eu tivesse argumentado fosse desprovido de substância, mas o que eu estava, de fato, era encorajando um motorista de Uber preocupado com a segurança dos seus passageiros a não se preocupar tanto assim.

Ora, é certo que eu prefiro pagar menos à ter uma miríade de aparato de segurança desnecessário, mas se acharem uma forma de garantir a segurança e o preço, não seria melhor ainda? Que incentivo eu estava passando para aquele motorista de Uber?

Então eu mudei meu discurso, e quando paramos o carro eu perguntei a ele se ele tinha em algum lugar a nota da ultima revisão que ele fez no seu carro (após tudo isso, ao menos ele deveria ter um discurso coerente com a sua prática). Ele disse que tinha, e ficou uns 15 minutos apagando arquivos do seu celular para poder acessar a galeria de fotos (que estava inacessível devido justamente a lotação de arquivos). Quando ele finalmente conseguiu acessar e me mostrou o comprovante da ultima revisão, bem como os custos, eu naturalmente agradeci e disse a ele o seguinte:

Se você quer que a situação pros consumidores fique mais segura no UBER, então, sempre que tiver a oportunidade, fale pros seus clientes do quão seguro o seu carro é e do quão atento você é nas revisões, e os aconselhe a sempre que entrarem em um UBER, pedirem o recibo ou comprovação da ultima revisão do veículo. Isso criará uma cultura de consumo mais voltada para a segurança. Mas não espere que o governo faça alguma coisa a respeito disso se nem os consumidores se importarem.

Ele concordou que a solução não viria do governo e eu garanti a ele que ele receberia 5 estrelas pelo zelo por seu veículo.

Agora eu pergunto a vocês… Vocês nunca tiveram curiosidade em saber a ultima revisão do UBER que vocês pedem? Da próxima vez, experimentem pedir isso ao motorista, e deem suas avaliações de acordo. Isso se vocês se importam o suficiente com as suas seguranças no transporte a ponto de se incomodarem à tanto.

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