Poder e tempo: de designer a empreendedor

Faz cinco meses que deixei de atuar integralmente como UX Designer para ocupar o cargo de “Intrapreneur” na Neue Labs. Empreendedor interno, em bom português.

Desde então, faço parte de duas startups em fase de incubação lá dentro: o MeuPortifa e o Uaula.

Nesta série de posts curtos, vou falar sobre as principais mudanças de paradigma quando se passa de designer a empreendedor.

Disclaimer: usarei os termos “designer” e “empreendedor” como substantivos, e não como adjetivos.

Poder e tempo
Certa vez li um texto do Marc Hassenzahl sobre Experiência do Usuário. Ele concluía dizendo que a experiência tinha 3 camadas: o Why, o What e o How. A experiência do usuário, segundo ele, deveria ser desenhada nas camadas superiores: o Why e o What. Posteriormente, deveria ser executada no What e no How. Deve-se, portanto, descobrir o porquê de algo para depois desenhá-lo.

Ocorre que, na minha experiência como UX designer, nas centenas de entrevistas, testes e entregáveis que executei, muitas vezes pude chegar bem perto deste Why. No entanto, por questões políticas e de cronograma, não era interessante que eu explorasse este lado mais investigativo da profissão. Meu trabalho, resumidamente, era de otimização. Desenhar fluxos, interfaces e protótipos com o intuito de melhorar uma solução existente. Como era de se esperar, sentia que faltava algo. Era como jogar xadrez comigo mesmo.

O texto do Marc descreve um designer de experiência do usuário muito mais próximo da esfera estratégica de um negócio. Eu — e acredito que muitos colegas de profissão — sempre estive inserido em departamentos mais focados em execução do que em estratégia.

Como empreendedor, a noção de tempo é muito mais líquida. O ambiente de incertezas e hipóteses tirou a segurança que eu tinha como designer, onde minha única preocupação era a qualidade dos meus entregáveis. Mais pressão? Com certeza. No entanto, este poder é traduzido em satisfação por atuar diretamente no olho do furacão. Como empreendor, você está construindo algo. Se vai dar certo, é outra história. Como designer, o seu “certo” é entregar o que foi proposto no sprint. Se a campanha que você trabalha não faz sentido, ou o produto é mal gerenciado, infelizmente isto não é problema seu. Independente se a natureza do designer seja a de resolver problemas.

No final, é uma troca: como designer, você tem controle sobre seu tempo mas sente que falta algo de transcendental no seu fazer. Como empreendedor, falta tempo pra dar as piruetas de designer, mas é você quem está no volante. Não importa se é de um Fiestinha 97 ou de uma Ferrari.

No próximo post da série vou falar um pouco sobre Ideologia emocional.

Até breve!

P.S. — Sou um “proud owner” de um Fiestinha 97. ☺

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