A batalha de discursos

A experiência do regime militar foi sem duvida um marco notável na nossa historia, e com 26 anos, eu sou da primeira geração que não viveu em consciência fora de um regime democrático. Cresci assistindo com espanto (e até comoção) os registros de repressão da PE e com admiração musicas do Chico Buarque, jornalistas combativos etc. Combater um golpe de estado soa no inconsciente da minha geração como algo muito desejável, e é por esse motivo que entendo sem concordar a adoção do termo para se referir ao processo de impeachment de Dilma, por uma quantidade incrível de pessoas.

Esse fato isoladamente, no entanto, não explicaria a adoção de um termo até então associado a tanques na rua e fechamento de congressos a um processo idêntico a outro ocorrido no pais em 92. Tivemos nessa histórica um catalisador clássico: a boa e velha direita contra esquerda. Esse é um nó difícil de desatar, mas me parece claro que o ímpeto em combater o impeachment se deve mais a uma repulsa ao novo governo do que uma convicção de que a Dilma não cometeu crimes de responsabilidade.