SAPEURS: Moda e Arte Congolense

Fotos: Hector Mediavilla

Desde o inicio da colonização do Congo, homens congoleses que trabalhavam para colonizadores franceses, ou que por algum outro motivo, passavam um período de estadia na França, adotaram para si a moda da aristocracia francesa de vestir, hoje eles não são os únicos.

Eles são chamados de Sapeurs e fazem parte da “Société des Ambianceurs et de Personnes Elegantes” (Sociedade de Ambientadores e de Pessoas Elegantes), grupo surgido durante a década de 1960 no bairro angolano de Bacongo, em Brazzaville, e quando eles saem, transformam as ruas da capital da República do Congo em um verdadeiro desfile de moda.

O estilo Sapeur começou basicamente como uma copia da moda europeia: “No início do século 20, quando os franceses chegaram no Congo e o mito da elegância parisiense se espalhou entre os jovens do grupo étnico Bakongo “, diz o fotógrafo espanhol Hector Mediavilla, que começou a documentar o SAPE em 2003.

De acordo com o Banco Mundial , 46,5% dos congoleses vivem na linha de pobreza nacional, ou abaixo dela. A renda per capita bruta do país é de $3.240,00 dólares, ou seja, o suficiente para um par de sapatos de crocodilo que pode custar entre $1.300,00 e $3.900,00 dólares americanos.

Por que cultivar então uma cultura baseada no “refinamento da moda” em meio a pobreza de um país devastado pela guerra?

“Para algumas pessoas ser Sapeur é uma obsessão “, diz Hector Mediavilla, porem, uma coisa é evidente, o fascínio pelas roupas não esta ligado diretamente ao consumismo exacerbado ocidental.

“A criatividade é muito importante”, diz Hector Mediavilla. — “Ser um Sapeur não é apenas gastar muito dinheiro com roupas, os Sapeurs também trabalham o modo de falar, a maneira de agir, se mover e gesticular. É uma das formas que eles encontraram para se apresentar aos demais como pessoas de importância social, em uma sociedade que não lhes dá oportunidades. É uma forma de trabalhar a autoconfiança, apesar de todas as circunstâncias adversas.”

Os Sapeurs em sua essência são pacifistas e tem como lema a seguinte frase:Temos que respeitar uns aos outros, um Sapeur não pode ser agressivo com ninguém”.

Não podemos negar que o estilo é parte de um legado do imperialismo cultural francês, ou seja, um legado pós-colonial, porem, uma famosa frase do musico Papa Wemba, do Zaire (atual Republica do Congo), um dos responsáveis pela popularização da cultura Sapeur entre o final dos anos 70 e o começo dos anos 80 define muito bem o verdadeiro sentimento Sapeur: “Os brancos inventaram as roupas, mas somos nos que fazemos arte com elas”.

Sendo assim, que a arte continue sendo feita pelos meus irmãos do Continente Africano.

Texto escrito por Mumu Silva e publicado originalmente em 11/12/2013 em Blog do Mumu.

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