Fiz um detox de cafeína por uma semana

Responde pra mim: você gosta de café? quantas xícaras toma por dia? A que horas faz isso? Acha que tem tomado demais? E refrigerantes, chás, chocolate, também consome? Hoje em dia é bastante comum tomarmos incontáveis doses de café e muitos miligramas de cafeína sem perceber. A vida corrida dos centros urbanos, com trabalho, casa, faculdade e vida pessoal meio que exige isso de nós. Só que eu tive um insight sobre essa relação do homem moderno com a substância esses dias. Mais especificamente sobre a minha relação.

Eu sou viciado em cafeína. Consumo de toda forma possível desde muito novo e nunca fui de tomar em poucas quantidades. Seja pra acordar, estudar ou mesmo pra passar o tempo e saciar meu hedonismo. Por consequência, minha resposta à falta dela no organismo é forte e vem em pouco tempo. E não só o vício em cafeína. Eu também sou viciado no ritual de fazer e tomar café. Qualquer dia que eu esqueça de tomar um cafezinho de manhã ou no fim da tarde, vem a crise de abstinência. Dores de cabeça, inquietude, cansaço, irritabilidade… é uma tortura, que passa alguns minutos depois de uma xícara de café quentinho. Assustador, não?


Eu decidi fazer esse detox de cafeína quando estava na faculdade, à noite, no meio de uma aula, e tive que abandonar por causa da dor de cabeça insuportável que eu sentia na hora. De lá fui pro café do shopping, pedi um espresso e tomei aquele café como um sedento tomaria água num deserto. Aquilo, mais tarde, fez acender o sinal amarelo na minha cabeça: “algo não está normal por aqui”. E não está mesmo, a ponto de eu ter que interromper uma atividade rotineira pra sustentar um vício. Então decidi que ia dar um tempo pra mim mesmo, pra me limpar, ainda que por um tempo, desse vício e tentar levar uma vida normal sem a necessidade de ingerir a droga.

E quando digo “sem a necessidade de ingerir a droga” eu quero dizer zero cafeína. Ou seja, nada de chás, chocolates, refrigerantes… nada que contenha cafeína entra na minha dieta.

Os primeiros dias foram de longe os mais difíceis, mas como eu já esperava isso decidi começar num sábado (dica pra vida: nunca marque pra começar ou mudar algo pra muito tempo depois, a chance de você furar consigo mesmo é grande) , pra passar os dois primeiros dias num fim de semana sem agenda pra comprometer. Logo na tarde de sábado veio a dor de cabeça latejante. Tomei um analgésico e segui a vida, até vir a vontade de fazer café, o ritual que eu especifiquei lá em cima. Nessa hora eu tive a (talvez nem tão) brilhante ideia de fazer refresco de caju pra tomar no lugar do café.

Eis aí uma curiosidade: em todos esses dias eu basicamente “substituí” a cafeína pelo açúcar. Sempre que dava vontade de um cafezinho eu comia um doce, uma bala, uma paçoca ou apelava pro refresco de caju. Isso definitivamente não é saudável, mas pelo menos me salvou de trapacear e quebrar o detox. Mas também não fez a vontade de tomar café passar.

A partir do terceiro dia, porém, as coisas ficaram menos tensas. A inquietude continuava e a concentração, que já é problemática, ficou pior, mas eu já não sentia tanta falta do café. Passei a acordar mais tarde e não fazer o café de manhã, e na hora de fazer o café da tarde eu fazia torradas pra acompanhar o refresco de caju. Nesses poucos dias de mudança eu já consegui mudar meu estímulo incondicionado de fazer café pra fazer torradas, o que é uma baita evolução. Só quase tive uma quase recaída no penúltimo dia, quando vi uma calda de chocolate dando sopa na geladeira e quase dei uma provada. Mas fui mais forte que a tentação e resisti! XD


Hoje é sexta, o último dia do detox. E o que posso dizer sobre essa experiência? A primeira observação é a mais óbvia: é totalmente possível viver sem cafeína. Os fatos de vivermos num dos países que mais produz café no mundo e de que tomar uma xícara aqui ou ali sem regras se tornou cultural na nossa sociedade meio que transformou o hábito numa ação inconsciente, e isso se torna um problema quando você descobre que a cafeína, a longo prazo, pode causar doenças como ansiedade e até problemas cardíacos!

A segunda observação que eu faço é que uma semana é muito pouco tempo pra se “desintoxicar” de fato. Pra ficar realmente limpo da cafeína eu precisaria de, no mínimo, 6 meses de abstinência. Nesses dias todos, inclusive hoje, eu senti uma vontade, ainda que mínima, de ingerir cafeína. Seja no café, no chocolate ou até na Coca Cola, a tentação foi grande. Foi bom pra me lembrar que o vício é permanente, mesmo que eu abandone a cafeína hoje eu nunca vou me livrar disso. E que isso sirva de conselho pra quem “precisa” se manter acordado e apela pra cafés, energéticos e até cafeína em pó pra isso acontecer. Cuidem dos seus organismos.

Quantidade de cafeína nas bebidas. A dose recomendada por dia é de 400mg

Isso significa abolir a droga da sua vida? Claro que não. A cafeína, quando ingerida em quantidades moderadas, é um ótimo estimulante e faz bem pro sistema cardiovascular e pra memória. Portanto, não precisa ter medo da cafeína, basta apreciá-la com moderação. Como quaisquer outras drogas, lícitas ou ilícitas.

Hoje à noite vou fazer meu desjejum da substância com uma amiga na cafeteria. Valeu muito pela experiência, mas eu estou morrendo de saudades do meu café vietnamita com chocolate…

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