Os jogos da minha vida

Sou uma pessoa que desde sempre conviveu com videogame. Não consigo pensar em uma época da minha vida em que eu não tenha tido nenhum contato com essa mídia, que começou como uma vertente de entretenimento infantil e hoje é uma indústria mais rentável que o cinema e a música. Desde 1995 eu já joguei tudo que é tipo de jogo possível é imaginável, em quase todas as plataformas existentes.

Não é exagero, eu provavelmente já passei da casa dos milhares de jogos experimentados. É a minha mídia e a minha forma de arte favorita, e o fator interatividade é o principal motivo. Ter um controle nas mãos e poder controlar tal personagem me passa a sensação de estar na pele da personagem, de estar vivendo a história dela, de sentir medo, aflição, tristeza e alegria por ela. Isso está tão enraizado na minha cabeça que hoje em dia eu tenho dificuldade em imergir em histórias contadas em outras mídias, como o cinema por exemplo – me dei conta disso recentemente, assistindo uma série sugerida por uma amiga.

Dentre os milhares de jogos que eu já joguei, tem todo tipo de experiência. Jogos terríveis, jogos péssimos, ruins, medíocres, bons, ótimos, excelentes… Mas 10 deles em específico eu considero como os jogos da minha vida, jogos pelos quais eu tenho um carinho muito especial. Não são necessariamente jogos bons ou muito populares, são experiências que marcaram minha vida de alguma forma, seja pelo enredo, pela jogabilidade, ou mesmo pelo valor emocional e histórico deles na minha vida. Vou comprtilhá-los com vocês e tentar explicar por que eles são tão importantes pra mim.


10. Crash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back (1997, PlayStation)

Eu tenho um carinho especial pela 5ª geração de consoles (PlayStation, Nintendo 64 e SEGA Saturn) por ter sido a geração em que eu mais experimentei jogos diferentes, além de ter tido dois dos três consoles dela. Dentre os vários jogos que eu curti na época, o Crash se destacou por ser um dos que mais me prendeu pela ambição de alcançar os 100%. Não bastava simplesmente passar por todas as fases e derrotar o chefe final. Também era necessário coletar todas as gemas e cristais, e descobrir as fases secretas. Tudo isso, aliado à boa jogabilidade é uma historinha boba, que tornavam o jogo divertido e engraçado, me fez passar horas na frente da televisão tentando alcançar aqueles 100%, destruindo caixas, matando tartarugas, plantas carnívoras e cientistas malvados e morrendo incontáveis vezes. Um grande jogo que me marcou pra sempre. Além de ser muito querido pela comunidade em geral.

A busca pelos 100% passava por procurar por mínimos detalhes em cada fase até achar alguma passagem secreta

9. Mortal Kombat 2 (1994, Arcade, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, PlayStation, SEGA Saturn)

Eu tenho um carinho especial por esse jogo por ele ser uma parte marcante da minha vida: foi o primeiríssimo videogame que eu joguei, lá em 1995. Foi o jogo que eu ganhei junto com o meu Master System 3 – que depois eu vim a descobrir "sem querer querendo" que ele tinha Sonic 1 na memória. Foi também o jogo que eu joguei em mais plataformas distintas, todas citadas ali em cima. Eu reconheço que hoje ele já não é mais tão bom assim, a ausência de um sistema de combos é um problema terrível se comparado a outros jogos de luta da geração, mas ele tem um lugar na minha memoria.

Boas lembranças da versão Arcade que eu jogava no boteco do Seu Valdemar

8. Assassin’s Creed II (2009, PlayStation 3)

Alguns elementos bem específicos me fazem colocar esse jogo entre os 10 jogos da minha vida. O principal deles é se passar num momento histórico que eu tenho uma admiração gigantesca, o Renascimento. Eu AMO a cultura renascentista de uma forma geral. Os movimentos artísticos, a arquitetura, a moda… quase tudo me fascina. E retratar isso num jogo com uma temática religiosa, uma história carregada de mentiras, traições, ganância, violência e busca por poder, e uma das personagens mais carismáticas dos videogames que é Ezio Auditore de Firenze. O conjunto da obra me conquistou.

Poder andar pelas ruas estreitas (e telhados) de Florência e Veneza do século XVI era um sonho virando realidade

7. Heavy Rain (2010, PlayStation 3)

Não foi pela jogabilidade, nem pelos gráficos e nem pelo hype. Heavy Rain foi um jogo que eu descobri por acaso por ter ganhado de um colega de trabalho. É basicamente um point-and-click adventure em que suas escolhas podem mudar o futuro. O que me faz amar esse jogo foi a sua história, que é muito bem elaborada e pé no chão, isto é, nada de suspensão de descrença, tudo ali poderia (e pode) acontecer no mundo real. A busca de um pai pelo filho sequestrado, uma repórter fazendo a própria investigação, um detetive particular ajudando uma moça e um policial tentando desvendar os sumiços de várias crianças. A jogabilidade é sofrível e os gráficos envelheceram muito mal, mas a trama é muito boa e eu recomendo pra quem curte bons enredos.

A tristeza no olhar de quem sabe que vai passar por muita merda pra achar o filho sequestrado

6. The Legend of Zelda: Majora’s Mask (2000, Nintendo 64)

Eu confesso que tive dificuldade no começo pra gostar desse jogo. Joguei na época do lançamento e achei bem difícil com essa mecânica dos três dias. Ainda acho até hoje, mas depois que dei outra chance pra ele eu vi o quão foda ele é. Além da jogabilidade ser maravilhosa padrão Nintendo, ele tem uma história extremamente macabra e enigmática. Apesar da mecânica dos três dias ainda ser um fator incômodo, a profundidade e o horror da história e a jogabilidade são pontos fortes que me fizeram apaixonar pelo jogo. E a quest do Anju e Kafei é foda mas é muito boa.

Assustador, difícil e marcante

5. Crusader of Centy (1994, Mega Drive)

Mais um jogo descoberto por acaso. Esse eu conheci procurando clones de Zelda pra Mega Drive. A jogabilidade dele é OK, não gosto da mecânica de só ter uma arma e ir aprimorando-a com o progresso. Mas a história desse jogo tem um nível de profundidade muito grande, abordando assuntos como racismo, escravidão e imperialismo. Enredo é um fator que pesa muito pra mim na hora de escolher um jogo, e ver um enredo desse num jogo tão simples me surpreende até hoje. É realmente uma pena que ele seja visto só como um clone de Zelda e nunca tenha tido o reconhecimento que merece.

Ainda me impressiona como um jogo tão simples consegue carregar um enredo tão profundo

4. Sonic the Hedgehog 2 (1992, Mega Drive, iOS)

Posso resumir perfeitamente meu amor por esse jogo em uma palavra: Infância. Foi o meu primeiro jogo de Mega Drive, um dos jogos que eu mais joguei na minha infância, o jogo que me fez apaixonar pelo Sonic, me fez passar madrugadas em claro tentando vencer o ultimo chefe*… Eu tenho tantas memórias com esse jogo, de pessoas, lugares, situações, que se eu quisesse contar levaria meses pra escrever. E, ainda assim, acho que palavras não conseguem descrever o amor que eu tenho por esse jogo.

Muito amor por esse ouriço azul <3

3. Grand Theft Auto IV (2008, PlayStation 3)

GTA IV foi o primeiro jogo que eu comprei pro meu PS3. Já tinha lido vários reviews dele na época, sempre positivos, então minha expectativa era alta. O que eu vi no jogo foi mais do que um sandbox de matar velhinhas atropeladas e contratar prostitutas. Ali também havia uma atmosfera pesadíssima. A história de Nico Belic, um iugoslavo imigrante ilegal que vai pros EUA pra tentar ganhar dinheiro e se vingar de seu ex-colega de exército que o traiu num atentado de guerra. Mais uma vez um nível de profundidade grande, mas agora num jogo em que eu não esperava. Eu nunca me imaginaria jogando GTA pela história, mas aconteceu. E ela é muito muito boa, assim como o jogo em modo sandbox…

Só os eventos que antecedem o jogo dariam um livro, ou mesmo outro jogo

2. The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998, Nintendo 64)

Eu tenho mixed feelings com esse jogo. Pra mim não há dúvidas de que ele é ótimo como jogo, não só em questão de jogabilidade mas também do fator histórico, de ser parte de uma revolução que aconteceu na indústria dos videogames naquele ano maravilhoso de 1998. Mas eu também tenho um apego emocional com ele, me remetendo à infância. Lembro de passar as tardes de domingo jogando com meu pai, de passar madrugadas explorando cada cantinho dos mapas pra procurar Pieces of Heart e Gold Skulltulas, de ler e reler o manual do jogo um milhão de vezes… Gosto de revisitá-lo de vez em quando. Foi o melhor jogo que eu já joguei na vida por muito tempo, até eu descobrir um certo jogo de aventura com fungos e apocalipses…

Um mix de valor emocional com o fato de o jogo ser tecnicamente quase perfeito

1. The Last of Us (2013, PlayStation 3)

Olha… nem sei por onde começar. São tantos elementos que me fazem amar esse jogo. O enredo, a ambientação, as atuações, as personagens, os acontecimentos, os gráficos, a música, a jogabilidade, o fator replay… Sério, é o jogo que beira a perfeição. Eu nunca joguei algo tão lindo na minha vida quanto esse jogo. Ele é tão perfeito do jeito que é que eu realmente tenho medo que saia uma sequência pra ele e que essa sequência seja melhor que ele. Se dependesse só de mim ficava só ele mesmo, sozinho já é uma coisa magnífica. E é isso, não cabe em palavras o que eu penso sobre esse jogo, apenas joguem e sintam, como eu fiz.

Como alguém seria capaz de ver defeitos em semelhante obra-prima?

Menção honrosa. Life is Strange (2015, PlayStation 3)

Comecei a jogar Life is Strange hoje. Já sabia um pouco da história (joguei a demo algumas semanas atrás) e de como o jogo funcionava. O interessante de jogo é que conforme você segue na campanha você precisa fazer escolhas, e essas escolhas vão acabar interferindo na maneira como a história vai se desenrolando – algo parecido com Heavy Rain, só que bem mais aprofundado.

Por enquanto eu só joguei o primeiro episódio da primeira temporada. Mas já deu pra sentir o peso das escolhas da Max, o quanto isso pode e vai influenciar no futuro da história. E isso te faz pensar duas vezes na hora de fazer suas escolhas, de enfrentar os dilemas morais que aparecem. É maravilhoso ter um jogo que te faz pensar sobre moral e ética na hora de tomar decisões. Mas posso esperar pelos próximos episódios, estou muito ansioso. Tão ansioso que acabei me inspirando a escrever este texto!

O QUE ACONTECE NO FINAL VAI TE SURPREENDER!!!1!!

Então é isso, esses são os 10 jogos da minha vida. É claro que eu ainda tenho muito tempo de vida e muita coisa pra jogar ainda, e que tem muito jogo bom que ficou de fora, mas essa lista já serve como uma referência de como videogames fazem parte da minha vida e da minha história.

E quais são os jogos da sua vida? Conta aí!

* Curiosidade: Eu só consegui zerar esse jogo pela primeira vez 14 anos depois de jogá-lo pela primeira vez

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