Idols, 6 anos depois.

Uma vez eu ouvi de um wota (fã de idols) que essas meninas são como namoradas na tua vida, com a diferença singela de não ter a preocupação da responsabilidade direta. Estava certo. Idols emulam nosso tipo de namorada mais perfeita que possa existir. Independente de você gostar de uma, três ou 315, o que importa é o sentimento genuíno que elas transmitem.

Hoje eu completo 6 anos de “namoro”. Desde o primeiro contato com aquele PV de Heavy Rotation, foi como amor à primeira vista. Arrebatador, a experiência sensorial daquele clipe de quase 6 minutos me fizeram ficar instantaneamente apaixonado pelo jpop idol.

Desde então se passaram 6 anos ininterruptos de dedicação, pesquisa, procura… de tantos vídeos e músicas baixados, ou até comprados… todo esse tempo rodei por diversos grupos, sem jamais largar um único segundo daquela que foi minha verdadeira origem, o AKB48. Então, de 2011 a 2017, varri por grupos, idols e estilos muito diversos. Aprendi como amar uma idol que detestava, a odiar uma idol que eu gostava, a procurar novos amores e também a superar aquelas que já não fazem mais parte da indústria.

Passei também por um monte de maus bocados, sendo todos eles com fanbases. Queria nunca ter incluído esse trecho, mas tudo faz parte da bonita história de ser wota. Também chorei muito, quando minha primeira e maior oshimen, Itano Tomomi, anunciou graduação. Inclusive eu cheguei a pensar em largar o mundo idol depois disso. Foi doloroso demais. 
Lágrimas caíram outras vezes quando idols muito queridas também disseram adeus. A última que me afetou foi quando a Owada Nana resolveu sair, por causa de um scandal. Essa última em particular me fez repensar de novo se vale a pena estar em tudo isso. Não por causa do scandal, eu a perdoo. Por pensar em estar cansado de tudo isso. Contudo não existe este vocábulo para fã de idol. E repetindo: esse relacionamento é somente para os fortes.

Passei por alegrias imensas, por sorrisos despretensiosos e por muitas reações positivas. Em diversos programas de variedades, clipes ou mesmo poucos segundos de vídeos virais pra internet, essas criaturas universais perfeitas produzem um maremoto de sentimentos que faz-nos tremer em 10 graus na escala Ritcher. Treme mais que o Maracanã em dia de Fla-Flu.

Em todos esses anos nessa indústria vital, a gente aprende a pensar e viver a emoção com o corpo todo (sim, literalmente TODO o corpo). Sente como é fantástico que elas, mesmo do outro lado do mundo, conseguem elevar o valor individual de cada um, conseguem transmitir um amor incondicional e uma alegria tão genuína que te faz querer correr pelado pelo país inteiro de felicidade. Te faz acreditar num mundo mais perfeito, regido pela música do seu coração e pela força invisível do amor idol. Força essa que pode ser equiparada àquela de Star Wars — a diferença é que aqui só existe o lado bom, e gostamos muito disso.

Em seis anos eu posso dizer que atingi a maturidade de um relacionamento sério. Uma relação idealizada que me satisfaz e preenche 90% do que eu espero e quero pra minha vida amorosa. Só não o faz mais pois não moro no Japão e não posso ir a handshakes e comprar itens delas, fazer cartinhas, conversar olho no olho…

Em seis anos eu coloquei todo meu coração, passei madrugadas em claro, me esforcei, me endividei, chorei, sorri, me apaixonei e vi amores indo embora. Nesses seis anos eu vivi uma história que sequer pude tocar, mas quem se importa, na verdade? Essa é uma das mágicas da indústria.

Em seis anos eu vivi uma vida fantástica que se baseia em sentar na frente de um computador e ver meninas japonesas cantando e dançando, rindo e chorando, contando piadas e fazendo vídeos do dia-a-dia. E eu acho isso lindo demais.

Em seis anos eu enfrentei diversos comentários negativos, seja de gente de dentro ou de fora. Mas esses eu perdoo, jamais virão a conhecer a maravilha que é ser fã de idols.

Em seis anos o amor jamais diminuiu.

Que sejam mais seis anos onde o amor por idols vai crescer mais e mais. Afinal, como diz um trecho de Boku Dake no Value:

“dare ga dou ittatte
Saikou ni suki da” 
(Não ligo pro que os outros vão dizer,
Eu amo te amar)

6年のアイドルもの、本当にありがとうございます!

glossário:
idol = garota que canta e dança, faz programas de televisão, comerciais, teatro, faz modelagem e promove marcas
wota = fã de idol
oshimen = junção dos termos oshi e menba~, literalmente “membro que você apoia”
fanbase = grupo de fãs que curtem um mesmo grupo ou uma mesma integrante
handshake = conhecido como “meet & greet” no ocidente, evento onde você encontra sua idol favorita. Geralmente você fala com ela por alguns segundos, tem um high-five com ela, pode entregar presentes e também pode comprar diversos itens como cds, dvds, toalhas, camisas, cards, fotos, etc.

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