Como refutar um argumento

Não importa se você é um filósofo, ou um advogado, a vida é cheia de questões e discussões. Quem nunca discutiu numa mesa de bar sobre algum tema? Ou com a esposa(o)? Até mesmo sobre futebol, jogos, cinema etc.

Para dialogar e mostrar o que pensamos abordamos argumentos. Em outras palavras, demonstramos nossas razões. Ás vezes, porém, falamos besteiras ou a pessoa com quem fala expressa absurdos. E como saber quando falamos besteiras? Ou como refutar um argumento?

Saber quando se fala besteira nem sempre é fácil. Nem sempre concluímos um pensamento da maneira correta, as vezes temos a informação errada sobre algo e, pode ocorrer de termos sido negligentes com as premissas. Nesse sentido, devemos ter cuidado para o que se fala e pesquisar mais, estudar mais para não falar asneiras incalculáveis.

Agora, quando se trata de refutar um argumento, ou melhor dizendo, questionar e demonstrar que as razões apresentadas são duvidáveis, como proceder?

A filosofia, propriamente a lógica, tem alguns truques para quebrar a fala do seu amiguinho(a). Diretamente, você pode demonstrar que as premissas estão incorretas ou são duvidáveis, o argumento é fraco ou inválido e mostrar que a conclusão é falsa. Por outro lado, indiretamente, você pode utilizar-se do “ Reductio ad absurdum” que é mostrar que uma das afirmações do argumento é falsa ou um absurdo.

Os truques são mais simples do que pode imaginar. Na verdade, é bem possível que você os faça naturalmente. Alguns tem a habilidade da retórica em um grau mais elevado.

Uma técnica é pegar um argumento e tentar desmontar, observando palavra por palavra e seu sentido. Depois, observar o que é dito e tentar trocar por coisas semelhantes. Se aquilo não fizer sentido algum, então há, talvez, um problema no argumento.

Vamos à alguns exemplos?

“A reforma previdenciária diminui os custos estatais. Diminuir os custos estatais é bom para a sociedade em geral. Por isso, a reforma é algo bom”.

O que há de errado nesse argumento?

O primeiro ponto é destacar o que cada termo significa. Por exemplo: “Reforma Previdenciária”. Qual reforma? O que é Reforma Previdenciária? Em que país, em que contexto?

Segundo ponto é: “Diminui os custos estatais”. Será? Quais custos?

Analisamos também a segunda premissa — Diminuir os custos estatais é bom par a sociedade em geral. Será? Quando se tem uma população pobre, será que a diminuição de investimento em educação e saúde seria interessante para a sociedade em geral?

“A reforma é algo bom”. A conclusão que se seguiu é terrível em todos os gêneros. Primeiro não se sabe qual reforma e em que país se diz, depois que não necessariamente diminuir custos é algo bom (Custo pode ser um investimento que retornaria em longo prazo, por exemplo). O argumento, em si, pode até ser válido, mas é fraco, inconsistente.

Experimente trocar a palavra reforma previdenciária por algo “semelhante”. Veja se faz sentido com outras palavras.

Basicamente, refutar argumentos é uma tarefa que aos tempos se torna mais consistente e mais natural. Vale lembrar que a um bom diálogo é construtivo e os recursos de refutação não servem apenas para “destronar” os outros, mas sim para se chegar em uma conclusão melhor.

F.M.Ogata — Wolf Lars

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