Agosto/2018

Elvis Rodrigues
Sep 3, 2018 · 8 min read

E não é que o número de podcasts ouvidos subiu novamente? Nunca achei que isso fosse possível, mas acredito que o número de minutos deve ter sido inferior, pois comecei a ouvir mais podcasts curtos, o que impulsiona essa quantidade. Também voltei a correr esse mês, e o faço ouvindo podcasts, hehehe. Não sei se esse número estabilizará em uma média algum dia, vamos aguardar. Agosto foi um mês interessante. Ao mesmo tempo em que foi corrido, foi longo e me permitiu consumir várias formas de entretenimento. Preciso ver mais filmes, precisar estar dedicado duas horas a alguma coisa ainda está sendo um obstáculos. Mas um passo por vez.

Vi dois filmes nesse mês de agosto, com reviews do Letterboxd abaixo:

Foi um deleite rever Minha Mãe É Uma Sereia depois de tantos anos. Preciso me atualizar nos filmes e séries da Christina Ricci, hehehe.

Li dois livros neste mês, começando por Jurassic Park, do Michael Crichton e terminando em Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues, do querido Eric Novello. O Eric é um autor carioca radicado em São Paulo e é uma pessoa muito querida, sempre simpático e disponível, e, agora posso afirmar com convicção, um escritor muito talentoso. No último dia do mês comecei a ler a primeira edição da Revista Trasgo, editada pelo Rodrigo Van Kampen, uma publicação digital de contos de ficção científica e fantasia, principalmente. Vocês podem baixar gratuitamente os volumes (enquanto escrevo há 17 lançados) no site oficial. Seguem abaixo links para os reviews dos livros lidos no Goodreads:

Como anunciado em julho, terminei de ler esse mês uma pilha de mangás emprestados do meu amigo. Foram 36 revistas em quadrinhos, sendo duas minhas e as demais dele. As minhas foram a edição 81 de One Piece, ainda engatando no novo arco, e a edição 63 de Fairy Tail, que encerra as aventuras de Natsu, Happy e Lucy. Fairy Tail tem bons momentos, especialmente os que são focados em Elza, a melhor personagem do mangá. Mas numa média, me arrependi de tê-lo comprado. Talvez eu organize os volumes para vender depois, não sei. O espaço seria bem-vindo.

Li os volumes 10 a 14 de One-Punch Man e confirmo minha impressão: eu não gosto do desenvolvimento da trama. Saitama é um personagem muito interessante por ser completamente diferente do protagonista padrão de mangás, e esse é o grande trunfo da obra de One, adaptada por Yusuke Murata. O protagonista não parece precisar aprender mais nada, e sempre derrota seus inimigos muito facilmente. Porém, este trunfo é também o pesadelo do autor: como desenvolver a trama se o protagonista não parece ter um arco a cumprir? O mangá foca nos coadjuvantes e fica enrolando para deixar claro o que o leitor já sabe, que Saitama é mais forte que todos os outros heróis do universo da narrativa. Mas apesar desse problema no desenvolvimento da história, que pode ser corrigido em breve, quem sabe, One-Punch Man é ainda muito divertido e tem um traço maduro e bem característico.

Para ficar na mesma temática, li os volumes 6 a 9 de My Hero Academia, também um mangá sobre pessoas com superpoderes e uma espécie de organização de heróis. Mas este é menos original, com um clássico protagonista de mangás, heróico e despreparado, mas que vai aperfeiçoando seus talentos conforme se intensificam os desafios. De uma forma geral, é mais honesto que One-Punch Man, embora siga todas as fórmulas do tropo. Estes quatro volumes aprofundam a história, começando a revelar o que está por trás dos poderes de Deku e a responsabilidade que ele carrega.

Também li os volumes 24 a 29 de The Seven Deadly Sins. A história é muito irregular, por vezes se demorando bastante em tramas tediosas, mas em outros momentos consegue trazer certa criatividade. O cenário é bem interessante, mas também me desagrada o excesso de foco em garotas seminuas. Outro mangá lido foi Gangsta, em seus volumes 4, 5 e 6. Considero que o mangaká Kohske tem dificuldades para lidar com o excesso de personagens e os diferenciar adequadamente. Como fazia mais de um ano que havia lido os volumes anteriores, tive muita dificuldade de compreender a contento. Há boas ideias, mas perdidas na confusão da história. A seguir, os volumes 4 e 5 de Bestiarius. Bem, a arte de Masasumi Kakizaki é lindíssima, especialmente no que tange aos detalhes dos monstros e dos cenários. Já a trama acaba sendo um pouco apressada, talvez o autor não tenha tido carta branca para alongar mais a história.

Um mangá interessante que li foi Opus., obra do brilhante e infelizmente falecido diretor de animações Satoshi Kon. São apenas dois volumes e a arte é simples e não oferece maiores atraentes. Já a história, apesar de não ser tão bem desenvolvida, oferece ideias tão originais que vale cada página. Num resumo muito simplista, Opus. conta a história de um mangaká que começa a interagir com sua própria obra. Kon nos joga na trama já em movimento, dando o tom do que viria a ser sua carreira no cinema.

Mais um novo mangá iniciado: Monster X Monster. Traço diferente, puxando para o realismo, e história até intrigante, pode ser que acabe se tornando algo digno de nota. Por enquanto, só posso afirmar que é relativamente original, tanto no traço como numa espécie de crueza dos personagens. Li também o volume inicial de Platinum End, a mais recente obra da dupla Tsugumi Ohba e Takeshi Okata, os responsáveis por Death Note. O conceito não é tão interessante, mas o talento dos dois conduz a trama para o ponto de despertar o desejo de continuar lendo para saber o que vem a seguir. Mais um mangá em minissérie concluído foi Samurai 7, uma adaptação completamente desinteressante do filme de Akira Kurosawa. Não percam seu tempo.

Depois de uns dois anos, finalmente tive a chance de ler novas edições de Berserk, da 75 a 78 (correspondendo aos volumes 38 e 39 originais). É verdade que o Kentaro Miura passou muito tempo dando voltas desnecessárias, mas nestas edições é visível o desenvolvimento da trama. Inacreditavelmente, o mangá parece estar rumando para seu fim. Quando enfim chegar lá, será mais comentado do que os livros do George R.R. Martin, afinal Miura começou a publicação há 29 anos e mantém um ritmo deveras irregular.

Encerrando essa longa lista de quadrinhos está Pluto. O sensacional Naoki Urasawa, responsável por Monster e 20th Century Boys, parte da premissa de um episódio específico de Astro Boy, obra do mestre Osamu Tezuka, e a desenvolve com autorização de seu legado. Os robôs mais poderosos da Terra estão sendo destruídos, quem será o responsável? É incomparável a capacidade de Urasawa de desenvolver uma trama de mistério e fisgar a atenção do leitor. Queria estar comprando eu mesmo esse mangá, porque é para ter na parede.

Em agosto a HBO transmitiu os quatro episódios restantes de Sharp Objects e… que final! =O A série é muito bem-sucedida em seus aspectos técnicos, especialmente na direção de arte e na fotografia. Já em termos de roteiro, há alguns problemas de ritmo, se alongando mais do que o necessário na parte intermediária. Talvez soasse mais encaixadinha se fossem seis episódios em vez de oito. Ainda assim, vale muito a pena dedicar essas horas à obra inspirada no livro de Gillian Flynn. Prevejo Emmys e Globos de Ouro para Amy Adams e Patricia Clarkson, uma mais maravilhosa que a outra. A novata Eliza Scanlen também faz um ótimo trabalho e pode ter indicações.

E comecei a conferir Star Trek. É isso mesmo, a série clássica dos anos 60 estrelada por William Shatner e Leonard Nimoy. Assisti aos oito primeiros episódios e não estou me arrependendo. Há episódios melhores e mais redondos (inclusive um escrito por ninguém menos que Richard Matheson, autor do livro que originou o filme Eu Sou A Lenda) e outros mais fracos e repetitivos. Mas é de certa forma emocionante poder assistir a uma obra tão significativa e que viria a servir de inspiração para tantos materiais de ficção científica.

Foram ouvidos assustadores 92 podcasts!!! Onde vou parar? Mas como eu disse lá em cima, não acredito que tenha dedicado mais horas do que em julho, pois foram mais episódios curtos do que o normal. 6 Tarrasque na Bota, 5 AntiCast, 5 Naruhodo (episódios curtos, normalmente abaixo dos 30 minutos), 2 Dragões de Garagem, 2 Quarta Capa, 13 Curta Ficção (podcast de escrita que comecei a ouvir e estou correndo para ouvir os anteriores, episódios de até 40 minutos, em média), 4 Xadrez Verbal, 27 Caixa de Histórias (estou chegando nos atuais, em setembro eu acho que igualo, há episódios de uma hora, mas muitos ficam entre 20 e 30 minutos), 1 Pavio Curto (podcast novo sobre problemas na indústria dos livros, ouvi só o primeiro, mas ouvirei os demais quando der), 4 Braincast (estou sentindo falta do Carlos Merigo, o dono do podcast que está se ausentando por ter voltado a trabalhar em agência de publicidade), 2 Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes, 4 Mamilos, 2 99% Invisible (também curto, 30 a 40 minutos), 2 Os 12 Trabalhos do Escritor, 2 Mundo Freak Confidencial, 9 Presidente da Semana (podcast do Rodrigo Vizeu, da Folha de São Paulo, que pretende contar a história de cada um dos presidentes do Brasil, culminando com o novo após as eleições. Os episódios são muito curtos, partindo de 12 minutos e não passando dos 30), 1 Dragão Brasil (podcast novo da revista de RPG, não gostei nada do primeiro episódio, mas darei mais duas chances) e 1 Hodor Cavalo (podcast da Carol Moreira e da Mikannn, mais conhecidas por seus canais do YouTube. Uma amiga me apresentou e eu gostei bastante da ideia, que é discutir em 30, 40 minutos os capítulos dAs Crônicas de Gelo e Fogo, começando do prólogo de Guerra dos Tronos. Inclusive me decidi por ir relendo e acompanhando, muito aos poucos).

Os melhores episódios ouvidos foram o Naruhodo 146, “Por que precisamos falar sobre vacinas?”, parte de uma iniciativa dos podcasts de ciência para discutir vacinação em agosto, mês de campanha. O podcast apresentou entrevistas e argumentos demonstrando os problemas que temos no Brasil e por que doenças consideradas erradicadas voltaram a nos assombrar. Faz uma boa parceria com o Dragões de Garagem 137, “Vó Maria: Vacinas e Escolhas #SemanaDaVacina”, onde várias pessoas são entrevistadas acerca do tema, incluindo patologistas e agentes de saúde. Compõem a lista dois episódios do Caixa de Histórias: o 123, “Ordem Vermelha”, onde o host Paulo Carvalho recebeu o escritor Enéias Tavares e os dois discutiram o novo livro do Felipe Castilho com tanta empolgação que me convenceram a querer ler; e o 131, Verdade Tropical, com a presença de um pesquisador da Tropicália, Juliano Malinverni, discutindo a obra meio autobiográfica do Caetano Veloso. Por fim, destaco que o AntiCast está fazendo uma programação especial dedicada às eleições, analisando os debates, entrevistando pessoas chaves e entregando o melhor conteúdo de política da podosfera brasileira.

É isso, pessoal! Me alonguei um pouco mais este mês, nos vemos daqui a 30 dias. =]

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade