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Dizem que o que não mata torna-a mais forte, mas isso não é verdade. Torna-a mais fraca. Torna-a mais apreensiva.

É comum ver isso em atletas profissionais, por exemplo. Eles quebram o tornozelo, fazem cirurgia, passam um tempão com as perna numa esquisita câmara de oxigênio que acelera a recuperação, fazem fisioterapia com equipamentos dotados de tecnologia de ponta e os médicos declaram que eles estão novos em folha novamente. Mas nunca mais voltam a ser tão bons quanto eram antes. Não conseguem se lançar no jogo com abandono total, nem com a mesma garra.

Não porque o tornozelo esteja mais fraco do que antes, mas sim por terem experimentado a dor. Por terem descoberto, chocados, a própria vulnerabilidade, não conseguem afastar essa lembrança e tentam se proteger. Isso é um instinto básico. A inocência se foi.

Eu tinha “sobrevivido” a um episódio de depressão, mas morria de medo de aquilo tudo se repetir. No entanto, tinha começado a acontecer novamente.

Eu estava afundando depressa demais. Procurar por algo que melhorasse a gente tinha me mantido na superfície. Agora, porém, não havia mais nada.

Talvez, vê-lo ajudasse a me estabilizar. Ou talvez não. Ele gostava de mulheres fortes, e eu não era forte. Pelo menos não naquele momento.

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