Cadê Teresa?

Sexta-feira, dia agitado no trabalho, dia agitado com você. Depois de semanas gastando horas e horas em conversas, meu coração já não cabia mais em mim. Mas ele tinha que caber.

18h. Hora de ir embora, pra longe de toda essa agitação. Como diria a música: você faz o inferno lembrar fim de semana. Eram dois dias inquietantes e intermináveis que eu tinha que passar longe de você, longe das borboletas no estômago, longe da ansiedade pra te ver, escondendo nossas conversas pelos cantos. Dois dias que eu tinha que passar com ele. Sim, ele.

Eu não sabia se o amava ainda, não sabia se era feliz ainda. E você chegou pra colocar mais uma incógnita nessa minha equação sem resposta.

18h e alguém teve a brilhante ideia de sugerir um happy hour. Era tudo que eu precisava para poder ficar mais tempo perto de você, mesmo que não fizéssemos nada, a sua presença sempre me bastou.

Eu não tinha permissão para sair sozinha. Imagina, uma mulher acompanhada apenas de homens (a dor e a delícia da minha profissão). Num bar. A noite. Um absurdo! Então, ele foi comigo.

A essa altura do campeonato meus amigos, todo mundo já tinha percebido, os nossos olhares não mentiam quando se encontravam. O bar estava lotado e se você perguntasse até pro garçom ele ia falar que sabia de tudo. Talvez até ele tivesse percebido, mas eu nunca soube.

Em meio à conversa jogada fora, sorrisos e bebidas, fui invadida pela coragem que me faltava — já dizia minha mãe: a bebida entra a verdade sai. Tudo que eu precisava eram 5 minutos sozinha com você, pra te olhar, te beijar pela primeira vez, te abraçar, te dizer que eu era sua. A partir daquele momento eu era inteiramente sua, independente do que viesse. O meu coração pertencia a você. O problema era ele… Eu ainda tinha que me resolver com ele. Essa situação mal resolvida ia contra tudo que eu sempre acreditei. Ia contra a honestidade que eu sempre pedi.

Enquanto minha cabeça e meu coração brigavam pra decidir o que fazer, eu te mandei uma mensagem: “to indo no banheiro”.

Eu fui. Meu Deus, eu fui!! O que diabos eu to fazendo??? Subi as escadas, entrei no banheiro e quando saí — quase não me aguentando em pé de tanto nervosismo — você estava lá. Lindo. Maravilhoso. Encostado na parede me olhando. Me esperando com um sorriso no rosto.

Foram os 5 minutos mais longos da minha vida. Eu não sabia o que fazer, mas eu deveria, afinal fui eu que provoquei aquele momento. Sempre que eu ficava perto de você minha cabeça simplesmente parava de funcionar e nada saía. Ficamos alguns instantes apenas nos olhando, sem dizer nada. Instantes esses que pareceram uma eternidade.

Então, você me beijou.

O mundo parou nesse momento. (Parece clichê, né? Que seja.). Parecia que alguém tinha pausado o mundo como quem pausa um filme. Falando nisso, como eu gostaria que a gente pudesse ir e voltar no tempo só pra eu experimentar esse momento mais umas mil vezes.

O relógio voltou a funcionar. Caiu a ficha pros dois. A gente não podia estar fazendo AQUILO, ALI e naquele MOMENTO. Ele estava lá embaixo, eu estava louca? Como eu fiz isso? Eu preciso voltar, ele vai me ver e vai me matar. Eu só podia estar fora de mim, não tinha outra explicação. A minha mãe ia falar que eu era uma vagabunda se soubesse disso. Meu Deus, o que as pessoas vão pensar? E saí correndo escada abaixo, pronta pra pegar minhas coisas e ir embora.

(Mal sabia eu que tempo e você iriam me fazer largar essas neuras pra lá, deixa que digam, que pensem, que falem. É libertador.)

Pedi para ir embora, mas ele queria ficar. Ou seja, iriamos ficar. Você desceu e sentou na minha frente sem conseguir esconder o sorriso no rosto. Novamente, todos sabiam. Só faltou estamparmos na testa pra ficar mais claro. Menos ele. Ele continuava lá, conversando, julgando a tudo e a todos enquanto se fazia de bom moço para disfarçar o ar superioridade.

Finalmente, F I N A L M E N T E. Consegui convencê-lo a ir embora. Meu coração estava saindo pela boca, eu não conseguia mais me aguentar, eu ia explodir de nervosismo e felicidade. Fomos embora no meu carro, ele dirigindo, é claro. Continuei fingindo que nada estava acontecendo, tudo normal, tudo sob controle — enquanto trocava mensagens com você no caminho para casa. (Deus, como eu queria ter guardado aquelas mensagens bobas e felizinhas)

— Tudo bem? Você ta estranha. — Ele me perguntou.

—Tudo, só tô cansada. — Respondi.

Estacionei o carro na garagem, já era quase meia noite e você me mandou uma mensagem avisando que ia sair com os meninos e me chamou. Eu disse que sim sem pensar duas vezes — já tinha chegado em casa, mas não tinha subido, então dava pra sair de novo sem minha mãe ver, se eu subir e sair de novo vou escutar a bronca duas vezes. Decidido, vou ficar no carro te esperando chegar pra me buscar.

Enquanto eu te esperava, minha cabeça teve a brecha que precisava para me puxar de novo pro planeta Terra e dizer: “GAROTA! O que você ta fazendo?”. De novo, eu só podia estar doida.

A realidade deu um soco na minha cara. Eu não podia fazer aquilo, eu tinha que resolver tudo primeiro.

Te liguei, não me atendeu. Mandei uma mensagem e subi. Você me ligou e eu não atendi, respondi por mensagem. Você insistiu, mas dessa vez minha consciência ganhou e fui dormir.

Uma noite incrivelmente agitada e conturbada, assim como seriamos nós a partir daquele momento.

Fui dormir sorrindo.