Meu maior sonho é surfar. Meu maior medo é morrer afogada.

Este texto é sobre procurar um emprego.


É isso mesmo, Passei 25 anos nisso aí.

Lá em casa sempre rolou aquela regra básica da água no umbigo, mas eu e meu irmão sempre demos nossa própria interpretação para o perigo. Aos poucos fui tomando gosto pelo mar e, a medida que isso acontecia, fui descobrindo que o perigo que ele oferece é tão grande quanto o prazer de entra numa onda.

Não é como andar, não é intuitivo. Surf tem técnica, tem jeito, tem graça. Não dá pra correr em mar aberto, tem que nadar com paciência e vontade até vir a tua onda. Depois disso é diversão.

Esperar a onda certa é entender que a maresia do conhecimento corrói constantemente quem somos. É aprender que as ondas de experiências terminam na praia do caráter, moldando assim a orla de nossas conclusões. Afinal, a gente é só uma gotinha de ideologia num mar de sabedoria. Ninguém sabe nada, mesmo fazendo parte de tudo.

Não precisa falar bro, ser caiçara, ter dread ou comer açaí o dia inteiro pra entrar no mar, ele aceita todo mundo. Me aceitou orgulhosa e, em um caldo, me entregou humilde de volta à praia. Foi quando descobri que na vida a gente morre afogado pelo ego se as boas intenções não estiverem sendo filtradas pelo pulmão.

E não me vem com trilhazinha de Jack Jhonson. A trilha sonora do mar é ele mesmo. Do mesmo jeito que a trilha sonora da minha vida, é minha própria coragem. Aí nenhum maior medo, resiste a um maior desejo.

Enjoy your wave. Enjoy your courage.


Vivian Mortean

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