Como ser um Gugu Gaiteiro hardcore quase me deixou surdo
O ano era… Cara, eu não faço ideia de que ano era. Chuto 2008.
Como eu ia dizendo, o ano era 2007, meu avô e dois de seus cunhados fizeram um acordo com um cidadão que utilizava uma propriedade apenas para o plantio de eucalipto em que eles podiam usar esse sítio para outros fins, como criação de gado, peixes, plantar milho… E foi um péssimo negócio. O local frequentemente era invadido para o consumo de drogas e tinha objetos furtados. Até mesmo três bezerros foram subtraídos.
Essa introdução é irrelevante para a história que vou contar e servia apenas para o que no ramo literário é tecnicamente chamado de “encher linguiça”
Pois bem, determinado dia em uma das visitas neste sítio com meus primos, levamos alguns traques ou bombinhas ou sei lá como isso se chama onde você mora.

Como crianças/adolescentes sem acesso à internet, estouramos duas caixinhas disso em minutos. O mundo pré smartphone era duro com hiperativos.
Comovido com o semblante frustrado e desocupado daqueles jovens, Tio Mateus -e a criança que habita aquele magro corpo idoso- levanta-se do toco de madeira em que está sentado e com um martelo na mão diz “vem cá que eu vô ensiná uma coisa prôces” e nesse momento eu explicaria as instruções dadas por ele caso não tivessem já sido genialmente registradas em vídeo pelo guri que atende pela alcunha de Gugu Gaiteiro: https://youtu.be/Omwbh6Jo1IM
*ignorem a parte em que ele instrui para raspar a camada preta do fósforo, o nosso era vermelho.
E então realizamos o tal experimento e não querendo diminuir o feito de Gugu Gaiteiro mas o nosso teve uma explosão maior. E teria uma maior ainda.
Ali, ao redor do toco de madeira estavam reunidos quatro espíritos de porco, dois idosos com um vasto histórico de travessuras e eu e meu primo, dois jovens que mesmo em início de carreira já demonstravam o potencial em fazer merda.
Não ficamos satisfeitos com o efeito causado pelo fósforo. Nós queríamos mais. A curiosidade conjunta dessas mentes brilhantes nos guiou a uma dúvida: “E se a gente fizer com a pólvora que sobrou dos traques?”
Repetimos o processo, furo no toco, coloca a pólvora, martela.
Um forte estampido com um clarão. Foi como se uma flashbang estivesse estourado ali.
Se você nunca jogou Counter Strike ou qualquer jogo de tiro em primeira pessoa e não sabe o que é uma flashbang, é uma granada de atordoamento, que te deixa cego e surdo por poucos segundos.
E desde aquele dia o meu ouvido direito nunca mais foi o mesmo…
