Divertida Mente — Um misto de emoções legais :´)

Se você for o tipo de pessoa que não assiste animação com a desculpa que “é para criança”, volta daqui mesmo porque você é meu inimigo natural e eu te odeio.
O texto a seguir
CONTÉM SPOILERS do filme, prossiga por sua conta e risco.

A Pixar conseguiu fazer o que vinha tentando desde a sequência Wall-E (2008), Up (2009) e Toy Story 3 (2010). A cada um ano uma Obra-Prima, mas não foi tão feliz com suas animações nos anos seguintes, mesmo com Valente em 2012, ainda faltava algo.
Passados 3 anos, já com a pulga atrás da orelha pela estagnada do estúdio, surge um novo título — Tenho que interromper aqui pra falar que, pela primeira vez o título brasileiro ficou muito melhor que o original. — Inside Out (no Brasil, Divertida Mente).

Eu que, acostumado assistir baboseiras do dia-a-dia me deparo com Divertida Mente — que também agora me arrependo de não ter ido ver no cinema — foi um soco de emoções na cara, não consegui conter por muito tempo o “suor masculino” guardados nos meus olhos.

A maior parte do filme se passa dentro da cabeça de Riley uma garotinha de 11 anos de Minnesota. Os protagonistas são seus sentimentos como personagens Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo que controlam seu estado emocional através de um painel de controle na Sala de Comando.
O filme começa com o nascimento de Riley e suas emoções, conforme ela vai crescendo vão criando-se memórias e explicando de um jeito muito divertido que algumas delas se tornam Memórias Base e cada memória base molda um aspecto de sua personalidade representadas como as Ilhas, temos a Ilha da Bobeira, Ilha da Amizade, Ilha do Rockey, Ilha da Honestidade e Ilha da Família.

Logo no começo você percebe que quase sempre há uma briga interna entre as emoções, pra ver quem vai assumir o controle do painel.
A trama se desenvolve em um certo momento onde a vida de Riley muda de uma hora para outra, ela sai de sua cidade natal e vai viver em outra, distante dos seus amigos e da vida que tinha. A partir daí temos um conflito de emoções acontecendo dentro dela, Alegria e evitando que a Tristeza tocasse nas memórias transformando-as em tristes lembranças, sempre brigando pra ver quem assume o controle acabam se perdendo nas Memórias de Longo Prazo junto com as Memórias Base, fazendo assim com que a Riley pare de sentir alegria.
O simbolismo que é utilizado é tão simples e ao mesmo tempo tão lindo, a emoção que vai acumulando, o apego que vamos criando aos personagens torna-se cada vez maior.
Dentro das memórias de longo prazo, Alegria e Tristeza acabam se perdendo e na tentativa de voltarem a sala de comando encontram Bing Bong um já esquecido amigo imaginário da Riley de muito tempo. Enquanto isso, sem suas memórias base, Alegria e Tristeza, Riley aos poucos vai perdendo os aspectos de sua personalidade se tornando uma pessoa fria, estressada que já não sente nada.
Dentro de sua mente a Alegria e a Tristeza estão tentando voltar ao controle, durante essa aventura temos diversas brincadeiras da mente de forma animada, como você lembra daquele comercial irritante de anos atrás ou coisas que você não precisa lembrar, tipo o nome de todas as princesas da Disney, etc.
Durante os acontecimentos com a ausência da memórias a Ilhas vão caindo de uma a uma com base nas ações da Riley, como quando em um momento de Raiva ela tem a ideia de voltar a sua cidade natal, sem o consentimento dos pais pega um Cartão de Crédito para pagar uma passagem, nesse mesmo momento você vê a Ilha da Honestidade caindo no Esquecimento.
Enquanto ainda no mundo das memórias de longo prazo Alegria evitando que a Tristeza tocasse nas memórias base, cai no Esquecimento junto com o Bing Bong o amigo imaginário, onde lá revendo uma antiga memória ela descobre que precisava da Tristeza o tempo todo afinal “para saber o que é alegria, você deve ter provado da tristeza” e então junto com Bing Bong e seu foguete os dois tentam escapar do esquecimento mas só a Alegria consegue e nosso até então amigo Bing Bong fica pra trás, aí ja era.

Conseguindo voltar a sala de comando, o painel de controle agora está petrificado com a ideia de voltar a Minnesota travada na mente, parece até poético mas então a Alegria dá espaço para a Tristeza que por sua vez tira a ideia da mente de Riley fazendo a menina voltar para casa.
Mais uma vez a Alegria da espaço a Tristeza deixando que toque as memórias base, fazendo com que Riley se lembre com tristeza dos aspectos que definiam sua personalidade. Nesse momento, Riley já nos braços de seus pais desabafa e em um momento de tristeza, alívio e alegria, surge uma nova Memória Base de Tristeza e Alegria e uma nova Ilha da Família ressurge.

Um filme simples, mas que pela primeira vez a Pixar de uma forma animada nos faz olhar para dentro de nossas mentes e nos perguntarmos o que se passa lá dentro, quais as memórias que nos define, quais são as ilhas das nossas personalidades, qual é o sentimento no comando ou se o nosso painel ainda é pequeno ou já evoluímos. Simplesmente fantástico.
Não posso deixar de mencionar também as brincadeiras como o botão da puberdade e nos créditos o motorista com raiva, o cachorro atrás de comida, o gato sendo gato.
O filme está recomendadíssimo, entrou fácil pro meu TOP 5 de melhores animações e aposto um Oscar bem fácil para Divertida Mente.

Algumas curiosidades:
- O filme foi dirigido por Peter Docter, esse cara já é uma lenda está por trás de Toy Story 1 e 2, Up, Wall-E e Monstros S.A.
- O orçamento do filme foi de 175 mi. U$ e arrecadou por volta de 820 mi. U$ no mundo.
- A Pixar já deixou claro que apesar da calorosa recepção do público e dos críticos não tem intenções de produzir uma continuação para o filme. (#chorei)
- Em 3 de novembro foi lançado um curta intitulado “Riley’s First Date?” (O primeiro encontro da Riley?). Onde foca a mente dos pais sobre um primeiro encontro da sua filha.
- Já ganhou como animação do ano pelo Hollywood Film Awards.

É isso aí galera, espero que você tenham gostado não esqueçam de comentar, vamos discutir, o que você achou do filme? Acha que exagerei? Concorda comigo? Quer me matar? Cola ae, talvez entremos em um acordo.

~ See ya.

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