O que faço para esquecer

Olá Estranho!

Tudo bem contigo?

É curioso como alguns fatos da nossa vida se tornam nebulosos, enquanto outros são tão nítidos, como se fosse agora.

Eu confesso que tenho uma memória um pouco, se não, muito falha. Consigo lembrar sobrenomes de pessoas com que estudei na 4ª série (sim, acabo de entregar minha idade), mas não consigo me lembrar de uma conversa que tive semana passada. Lugares? Lembro de muitos. Pessoas que por acaso encontrei em um bar? Talvez.

Parece algo natural de mim, esquecer aos poucos os momentos que vivi; agora é o momento em que você, que está me lendo, pensa: Insensível, como esquecer coisas que te fazem bem? Mas, eu não faço por mal! Juro!

Você já se pegou relembrando momentos de uma viagem e se sentindo bem com aquelas sensações? Eu faço isso sempre! Mas preciso tirar fotos dos lugares que passo justamente para ter essa lembrança, olhar o meu sorriso e lembrar de como estava feliz aquele dia!

São pequenas lembranças que tenho para poder manter vivo dentro de mim o que eu quero.

E quando não quero lembrar? Tudo se torna mais fácil. Vou esquecendo.

Nossa mente funciona com gatilhos, algo que aciona nossa lembrança e essa lembrança desencadeia outra, e assim sucessivamente. O que faço para esquecer (de propósito) é eliminar esses gatilhos.

Geralmente coisas ruins são mais difíceis de serem esquecidas, pode ser um trauma, ou até um relacionamento que terminou da pior forma possível, para esses casos, só o tempo não é solução, como muitos dizem; você precisa ajudar a sua memória. Não aperte o gatilho.

Pode ser um lugar, pode ser uma rede social, pode ser a rua pela qual você passa.

Não aperte o gatilho.

Eu já passei por situações de medo extremo, algumas pessoas que passam por esse tipo de situação precisam falar, expressar; porém para outras quanto mais se falar, mais ela ficará gravada. Eu sou do segundo tipo: não gosto de falar. Não estou falando aqui de casos, por exemplo, de depressão, em que o correto é conversar, são coisas diferentes.

Quando aconteceu comigo evitei durante muito tempo falar sobre, após anos, sim, anos, eu consegui contar sem que aquilo me deixasse com medo. Parece que aconteceu ontem, porém eu sei que daqui mais alguns anos, irei esquecer completamente. É algo natural. Mas, eu não apertava o gatilho. As pessoas não sabiam o que tinha acontecido, portanto não perguntavam.

Outra coisa que aprendi sobre esquecimento: Não fale tudo para os outros.

Porque sempre existirá alguém que ou não convive contigo ou se preocupa muito, que perguntará o que aconteceu. E o gatilho é ativado. A lembrança é resgatada. A dor é sentida.

Abraços.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.