Filmes Xamânicos: O Irmão Urso

O Totem do Urso de Kenai

Salve pessoal!

Resolvi fazer um post diferente essa semana, antes de continuar com a nossa jornada sobre o que é xamanismo. Gostaria de falar sobre o filme O Irmão Urso, que possui uma temática xamânica excepcional e que deve ser compartilhado.

ATENÇÃO: Se você ainda não assistiu o filme, por favor, assista antes de ler esse texto pois ele conterá SPOILERS!

A história do filme representa muito bem como lidamos com nossas próprias energias, com nossos próprios totens pessoais. Kenai, ao descobrir que seu totem é o Urso que simboliza o amor, fica extremamente decepcionado. Afinal, perto da Liderança da Águia de Sitka, seu irmão mais velho, e da Sabedoria do Lobo de Denahi, seu irmão do meio, o amor lhe parece uma habilidade fraca para um homem da tribo. Ele diz, inclusive, que o amor não lhe serviria de nada, pois se os inimigos de outras tribos viessem incomodá-los, o que ele deveria fazer? Amá-los? Além disso, Kenai considera o urso como um animal extremamente violento e agressivo, cujo único propósito é ferir e roubar os seres humanos. Para ele, o Urso do Amor é uma tremenda incoerência.

Analisar essa percepção de Kenai é muito importante para que tenhamos consciência de como nossa capacidade de perceber através do ordinário muitas vezes é limitada. Quantas vezes temos dificuldade em enxergar aquilo que não está diante dos nossos olhos? Quando Kenai enfrenta o urso e efetivamente o mata, ele está destruindo o seu próprio poder. Ele não reconhece em si o poder de amar, e por essa falta de percepção, é incapaz de agir verdadeiramente e amar o urso, ou seja, amar à si mesmo! Quem não se reconhece jamais poderá ser verdadeiramente feliz. Como diria a célebre frase de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”. Vendo a incapacidade do irmão em reconhecer seu próprio poder, Sitka resolve transformá-lo em urso para vivenciar a experiência no plano material de realmente SER o urso.

Sitka se encontra com Kenai antes de transformá-lo em urso

Depois de se tornar o urso, Kenai fica desesperado e busca a ajuda de Tanana, a Xamã da tribo. Ela, a única que o reconhece (afinal, Tanana é uma Xamã e pode ver além do ordinário), diz que ele precisa ir até a montanha onde as luzes do céu tocam a Terra. No caminho até a montanha Kenai conhece Koda, um filhote bastante falastrão e engraçado. Enquanto Kenai começa a sua jornada até a montanha, Denahi, acreditando que o urso havia matado seu irmão e não o contrário, inicia uma jornada para matar o “urso” destruiu sua família. Denahi esquece-se completamente do seu próprio poder de sabedoria e deixa-se levar pelo sentimento negativo. Ele não se importa com absolutamente mais nada senão caçar o “monstro” que matou seus irmãos. Se analisarmos a atitude de Denahi, podemos perceber o quanto nos deixamos levar por sentimentos baixos ao longo de nossas vidas. Ao invéz de buscar emoções superiores e que nos elevem o espírito, acabamos vivenciando momentos de profundo desprezo pelo nosso próprio poder. Se Denahi tivesse realmente vivenciado o poder do seu totem, jamais tomaria a atitude que tomou de caçar Kenai e Koda. Precisamos ser sábios em todos os momentos da nossa vida, principalmente nos difíceis!

Koda e sua espontaniedade

Kenai descobre, ao longo do caminho, que Koda é o filhote da ursa que ele matou. Simbolicamente, Koda representa a nossa “criança” interior, nosso poder criativo, a capacidade de criar algo novo, de iniciar novas jornadas, nos transformarmos em pessoas diferentes. Koda é a primavera, é o poder de que Kenai precisava para se tornar um novo ser. A energia espontânea e alegre de Koda o fez perceber o quanto estava vivendo uma vida de mentiras, sem reconhecer a própria capacidade de si amar e estender esse amor adiante. Não importa o que tenha sido feito no passado, sempre temos a capacidade de fazer diferente daqui para frente!

Portanto, o filme como um todo vem nos ensinar a termos uma percepção diferenciada quanto à nós mesmos, o quanto precisamos nos reconhecer e nos valorizar dentro de quem realmente somos. Não adianta invejar a capacidade ou habilidade de outros, temos nosso próprio poder pessoal que, com certeza, não é melhor nem pior do que outros. Todos nós podemos fazer a diferença no mundo. Precisamos nos apegar à QUEM realmente somos e vivenciar essa existência com toda a nossa força e Vontade!

Espero que tenham gostado. Nos encontramos na semana que vem!

Axé na Luz!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.