OBSOLESCÊNCIA DAS PROFISSÕES:

FIM DA LINHA OU UM NOVO COMEÇO?

Em meio à revolução digital, o futuro de algumas profissões é incerto e a adaptação dos trabalhadores é essencial para a manutenção no mercado

por Fabio Nóbrega, Pedro Oliveira e Victor Tavares

Chamamos de profissão um tipo de habilidade muito peculiar ou específico, detido por um grupo restrito de pessoas, que se organizam institucionalmente para proteger sua atividade, regular os termos de ingresso na mesma, o processo de formação profissional e a excelência de seu exercício. Normalmente, portanto, uma profissão corresponde a um coletivo institucionalizado, que assim se organiza a fim de preservar o poder de deter a exclusividade de seu ofício. Este poder se funda no monopólio do domínio técnico das habilidades e competências que constituem o saber profissional.

Como exemplos, temos aquelas profissões mais tradicionais, que normalmente são reconhecidas por todos como tais: a tríade formada por medicina, engenharia e advocacia, por exemplo. Cada uma destas profissões possui instituições legais ou paralegais que determinam os termos do exercício profissional: quais escolas são credenciadas para tal, que habilidades devem ser aprendidas e a exclusividade do exercício profissional.

Historicamente, o século XVIII é marcado na Europa por diversos acontecimentos que mudaram completamente a vida das pessoas que viviam naquela época. Até a metade deste século era comum encomendar sapatos a um artesão. O sapateiro, por sua vez, dava ao seu cliente um determinado prazo para entrega do produto solicitado. Nesse período, o próprio sapateiro tinha a tarefa de curtir o couro, cortar, costurar e deixar o sapato conforme o comprador tinha pedido.

Com a chegada das máquinas e, mais tarde, com o surgimento da indústria, a sociedade precisou se reorganizar para realocar o lugar de certas atividades. Surgiram novas demandas, enquanto outras desapareceram. Hoje, sapateiro, assim como muitas outras ocupações, é uma profissão em caráter de obsolescência, ou seja, ultrapassada e facilmente substituível. É mais fácil, rápido e prático adquirir um sapato novo em uma grande sapataria do que mandar um velho para o conserto ou comprar por encomenda. Tal fenômeno é muito comum na era do descartável. As próprias empresas projetam seus produtos com prazo de validade, incentivando o cliente a comprar o modelo mais novo de seus artefatos.

O cenário de mudanças nas profissões trazido pela inovação ou organizacional é acelerado pela tecnologia, como afirma o professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, Sidartha Sória. “Haverá profissões que gozavam de tal status, mas o perderam quando a evolução tecnológica conseguiu fazer com que processos organizacionais ou automatizados reproduzissem o que antes era feito pelo profissional. É o exemplo do antigo mecânico de automóveis. Ele era um mecânico-artesão, tinha um saber muito específico, era muito qualificado, e dominava o processo de produção dos primeiros automóveis. Veio então o fordismo, que extinguiu aquele profissional, substituindo-o pelos operários manuais desqualificados, e mais tarde e atualmente, por robôs”, analisou.

As demandas sociais em constante alteração são outro vetor da dinamicidade das ocupações de acordo com o professor da UFPE. “As demandas sociais variam historicamente, ou seja, surgiram demandas que antes não existiam, ou então no passado eram consideradas importantes mas deixaram de ser”, ponderou Sidartha. “Se a demanda que surge ou que some corresponde a uma atividade que se reveste de conteúdo exclusivo dominado por um grupo restrito, então ela corresponde a profissões que surgem ou que desaparecem”, completou.

A reestruturação do mercado de trabalho não é algo novo em nossa sociedade. Desde o século XVIII até os dias atuais, os trabalhadores vêm sentindo o impacto causado pelas mudanças proporcionadas pela Revolução Industrial. Originária da Inglaterra em meados de 1750, a Revolução Burguesa, como também é conhecida, mudou a forma organizacional da sociedade através da divisão do trabalho. “Sem dúvidas a Revolução Industrial causou grandes efeitos na sociedade daquela época. Foi um período promissor para os burgueses. Em contrapartida, para os trabalhadores, foi um momento de muita instabilidade. O artesão que, de início, era responsável por todas as etapas do processo de fabricação de produtos, perdeu seu posto para uma máquina que tinha uma produtividade dez vezes maior que a sua”, explica o historiador Victor Mesquita.

Atualmente, essa realidade da história mundial parece se repetir em uma distância bastante próxima dos brasileiros. A automação e a tecnologia vêm caminhando de mãos dadas com o passar do tempo e a convergência desses fatores levam alguns especialistas a concluir que hoje estamos inseridos na 4ª fase dessa Revolução. “A globalização e o avanço tecnológico têm convergido para o aperfeiçoamento da produtividade. A robótica vai substituir trabalhos de funções repetitivas e a tecnologia vai criar outros tipos de função”, analisa o diretor de desenvolvimento de pessoas da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), Luiz Edmundo Rosa.


A UBERIZAÇÃO DAS PROFISSÕES: UMA REALIDADE LATENTE E ACELERADA

Trabalhadores vêm perdendo seu espaço para robôs e aplicativos e precisam se reinventar para seguir no mercado de trabalho

Quando Steve Jobs começou a planejar o iPhone, talvez nem tenha pensado o quanto os smartphones pudessem influenciar a vida na sociedade pós-moderna. Se outrora tínhamos um aparelho para cada função, com os celulares inteligentes reunimos milhares de ferramentas na palma da mão. De calculadora a câmera fotográfica, de rede social a televisão, tudo está no smartphone. Toda essa onda de aplicativos contribuiu para um fenômeno pouco conhecido, mas que cresce aceleradamente: a uberização das profissões.

O Uber, por sua vez, é um aplicativo lançado nos Estados Unidos em março de 2009 que revolucionou o sistema de transporte particular. Em concorrência ao serviço dos taxistas, a ferramenta trouxe uma maior liberdade de escolha aos usuários. Como principais atrativos, o preço mais barato em relação aos táxis, a comodidade do e-hailing (ato de pedir um carro privado via meio digital) e a rapidez. A empresa chegou ao Brasil em maio de 2014, começando suas operações por São Paulo, e logo se espalhou pelo país. Alvo de controvérsias e protestos dos motoristas de táxi, o Uber se popularizou e cresceu. Para os taxistas, é uma forma de pirataria que prejudica sua profissão. Para os passageiros, uma opção.

O taxista Wellington Freitas, de 54 anos, se vê encurralado pelo crescimento do Uber. “É muito triste você se dedicar anos a uma profissão, pagar seus impostos ao Governo, criar seus filhos com o táxi e um aplicativo vir e tirar sua clientela”, lamentou. “Apesar disso, eu enxergo que é preciso uma mexida no próprio taxista que se acomodou e não buscou se reciclar”, finalizou Wellington quando questionado sobre o futuro de sua profissão. Por sua vez, o motorista de Uber Flávio Souza, de 43 anos, evidencia o serviço como uma forma de sair da fila de desempregados. “Fui demitido de uma empresa de eletricidade depois de anos trabalhando. Não consegui achar outra alternativa a não ser o Uber para me manter. Eu preciso trabalhar”, afirmou.

Uberizar uma profissão é nada mais que transformar toda a relação entre o trabalhador e sua ocupação em algo automatizado e passível de se controlar com alguns poucos cliques em uma tela, além de mudar as relações trabalhistas. Segundo Luiz Carlos Freitas, membro do Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Municipal Público de São Paulo (Sinesp), “a uberização elimina o conceito de contratação por jornada. A antiga jornada de trabalho servia para proteger o tempo livre do trabalhador”. Ainda de acordo com Luiz, tal fenômeno é um “processo de precarização que contribui para a extinção de algumas profissões”.

Questionada sobre a uberização das profissões, a estudante de pedagogia Jessyca Melo, de 22 anos, mostrou-se surpresa com a revolução causada pelos aplicativos: “Não imaginava que tantas profissões estavam ameaçadas por essa digitalização da sociedade. É uma realidade que precisamos analisar e compreender para saber como lidar e evitar o fim dessas ocupações”, analisou.

Assim como o Uber, diversos outros aplicativos promovem automatização ao alcance da tela touch screen. Paulatinamente, outras profissões se veem encurraladas. É o caso dos contadores com apps que fazem toda a contabilidade financeira para o usuário como o Compoundee HD e o Extensify e dos agentes de viagem com o Airbnb e o Trivago. Até mesmo os professores podem ser substituídos em um futuro não tão distante pelas máquinas e aplicativos utilizados em sala de aula.

Tecnologia

Nos dias atuais, onde a informatização faz parte da realidade de todo o mundo, muitos são os trabalhadores afetados pela renovação e principalmente pela modernização da sociedade. Com o capitalismo, muitos foram os trabalhadores substituídos por máquinas e sistemas tecnológicos. Um exemplo da interferência tecnológica no mercado de trabalho é a grande diminuição de carteiros. Com cada vez mais pessoas usando e-mails e aplicativos de mensagens instantâneas, esta profissão tende a sofrer um grande declínio na demanda por empregos.

Com os avanços da tecnologia, portanto, o mercado de trabalho é cada dia mais empurrado para mudanças drásticas e renovadoras. Estudos feitos pela Ernst & Young, uma das empresas mais conceituadas em consultoria e auditoria do mundo, mostram que cargos operacionais como caixa de banco, corretor de imóveis, operador de telemarketing e árbitros de futebol podem desaparecer num prazo de oito anos e haverá uma maior demanda por profissões que envolvam tecnologia de ponta, como designer especializado em impressão 3D e designer de realidade virtual. A consultoria ainda aponta que até 2025 um em cada dez postos de trabalho devem ser substituídos por sistemas informatizados.

Realidade mundial

Em Portugal esta realidade já se faz presente no mercado de trabalho. No país ibérico os frentistas de postos de gasolina há um bom tempo perderam seus espaços para máquinas que desempenham parte de sua função elementar. Este e vários outros fatos apenas nos fazem lembrar que o processo de robotização é um fenômeno inevitável nesta situação, e que todas aquelas profissões que porventura possam ser substituídas por máquinas, um dia, deixarão de existir.

“É o caso das agências de viagens. Cada vez menos procurados em função dos inúmeros sites e companhias eletrônicas que realizam a função que antes só era desempenhada por operadores de viagens”, disse Ana Paola, de 42 anos, ex-empresária do ramo de agências de viagens. Em contrapartida, ainda segundo a ex-empresária — que hoje se reinventou no mercado de trabalho e segue a carreira de consultora de saúde — com auxílio de plataformas tecnológicas e redes sociais, a internet se tornou um ambiente colaborativo entre os internautas e principalmente uma ferramenta de reinserção no disputado mercado de trabalho brasileiro e mundial.

A exemplo da nova profissão de consultoria pessoal de saúde e bem-estar, seguida por Ana, especialistas afirmam que carreiras pautadas na interpretação e que tenham relacionamento com os aspectos emocionais humanos tendem a oferecer mais segurança e estabilidade em um futuro disputado. A especialização profissional e a observação de tendências do mercado, desta forma, são caminhos que os profissionais devem buscar seguir caso queriam sobreviver e continuar ativos no mercado de trabalho.

Não só Brasil e Portugal, como também os demais países do globo, têm se reestruturado quanto ao desaparecimento de determinadas profissões. “Tempos Modernos”, famosa obra cinematográfica lançada pelo cineasta e ator Charlie Chaplin, em 1936, nunca foi tão contemporânea diante do quadro que vivemos atualmente. Substituição, automação e lucro era o lema daquela época e parecem ser os mesmos termos usados para justificar a redução e obsolescência de determinadas ocupações. O futuro tem sido causa de grandes preocupação para algumas pessoas. Planejamento de carreiras tornou-se um ponto-chave para quem pretende ter uma vida estabilizada daqui a alguns anos.

RETIRADA DOS COBRADORES DE ÔNIBUS É ALVO DE POLÊMICA EM SÃO PAULO E NO GRANDE RECIFE

Economia é a justificativa do prefeito paulistano João Doria para a extinção da função. No Grande Recife, o motivo é a segurança pública.

O avanço tecnológico, no entanto, não tem sido a única razão responsável por deixar algumas funções de lado. No início de 2017, o prefeito da cidade de São Paulo, João Dória (PSDB), afirmou que pretende acabar nos próximos três anos com a função de cobrador de ônibus dos municípios. Conhecido como Rapidão, o programa que prevê a retirada desses profissionais já foi implantado não só na cidade paulista, mas também em diversas capitais brasileiras. Algumas já utilizam o sistema desde o final de 2013.

O Bus Rapid Transit (BRT) faz parte desse projeto. Os ônibus são biarticulados e circulam em corredores ou faixa exclusivas pelas rodovias sem cobradores, funcionando como se fosse um metrô sob rodas. O passageiro, antes de embarcar no veículo, paga antecipadamente a passagem através de um bilhete eletrônico, dispensando assim a necessidade de um profissional que receba o dinheiro dentro dos coletivos. “Gradualmente, com o tempo, é possível que isso venha a ocorrer [extinção do cobrador], mas sem desemprego. Nós estamos solicitando que as empresas capacitem os cobradores para serem motoristas”, disse o prefeito de São Paulo em entrevista ao G1. A mudança atinge cerca de 20 mil cobradores somente na cidade paulista, mas o político garante que não haverá demissões em massa.

A inteligência das máquinas, neste caso, já não é o principal fator que ocasionou a implantação dessa medida. Tal atitude foi desencadeada por razões econômicas, pois haverá menos mão-de-obra em circulação no interior dos veículos, baixando assim o custo para as empresas.

A economia, portanto, é outra razão que tem tornado algumas atividades obsoletas, pois trata-se de um balança inversamente proporcional: quanto maior a redução de funcionários, menores os custos. No início do ano passado, o Foro Econômico Mundial divulgou que a automação destruirá, pelos próximos cinco anos, cerca de sete milhões de empregos nas quinze maiores economias do mundo.

Segurança

Além do desenvolvimento tecnológico e da economia, a segurança é outro fator que tem levado as empresas a excluírem certas profissões, reduzindo seu quadro de funcionários. É o que observamos atualmente na Região Metropolitana do Recife (RMR) com a retirada dos cobradores dos ônibus. Ao contrário do que se prega na maior metrópole do Brasil, em Recife a retirada desses profissionais tem sido baseada no discurso de que quanto menos circular dinheiro nos coletivos, menor será o risco de roubos e assaltos. Sem a circulação de dinheiro das empresas de ônibus dentro dos coletivos, porque agora o pagamento da passagem só é feito exclusivamente pelo Vale Eletrônico Metropolitano (VEM), não existe necessidade de manter cobradores nos veículos.

Os assaltos a ônibus na RMR têm se tornado um constante que amedronta os usuários do transporte público. Somente neste ano, a investida de criminosos nos coletivos já ultrapassa mil ocorrências registradas. Segundo dados cedidos pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), no mês de março de 2017, houveram 337 casos.

A retirada dos cobradores no Recife entrou em vigor desde o segundo semestre de 2015. A linha 2490 — TI Camaragibe/TI Macaxeira começou a rodar sem cobradores. Além dela, em julho do ano passado, a linha 901 — TI Abreu e Lima/TI Macaxeira já não conta com atuação desses profissionais, afetando assim cerca de seis mil usuários. “Buscamos dar tranquilidade ao nosso cliente, de entrar no nosso ônibus e saber que vai fazer uma viagem segura. Essa decisão foi tomada para dar mais proteção aos passageiros. O que for possível ser feito, para tornar a viagem mais segura, está sendo feito” relata o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE), Fernando Bandeira. Ao todo já são 32 linhas circulando na RMR sem esses profissionais.

Impacto

Essa é uma realidade dura que muitos cobradores têm enfrentado. Elizangela Maria de Lima, de 32 anos, por exemplo, é cobradora de ônibus na linha 522 — Dois Irmãos/Rui Barbosa e enxerga que em um futuro próximo seu posto será ocupado não por outra pessoa, mas por uma máquina. “Acredito que daqui a alguns anos, o cobrador de ônibus não existirá mais. Chegaram agora os BRTs que operam somente com os motoristas e em algumas linhas normais os cobradores já foram retirados. O que é uma pena”, pondera.

Elizangela tem três filhos e enxerga essa situação de maneira negativa. Segundo ela, nesse novo sistema que as empresas estão implantando aos poucos, quem é cobrador habilitado é aproveitado para trabalhar como motorista de ônibus, já quem não possui essa habilidade é descartado do quadro de funcionários. “A linha que eu trabalho ainda opera com cobradores, mas tenho alguns amigos que foram demitidos porque não tinham carteira de motorista e também porque não tinha mais vagas para fiscal, que é outra função que provavelmente irá desaparecer com o tempo”, relata.

Elizangela analisa ainda a justificativa das companhias de ônibus como insustentável, pois, para ela, não haverá diminuição da criminalidade nos coletivos com a retirada dos profissionais. Agora, sem a circulação do dinheiro da empresa na catraca dos veículos, os alvos definitivamente serão os usuários do sistema de transporte público. “Se a saída dos cobradores fosse resolver o problema dos assaltos a ônibus era bom. Mas, os BRTs rodam só com o motorista e mesmo assim os roubos continuam e só fazem aumentar. É ladrão armado com facão para cima e para baixo levando os pertences dos passageiros. Eu queria que os donos das empresas explicassem esse fenômeno”, questiona a cobradora, que já pensa em atuar como cozinheira ou empregada doméstica, enquanto não se capacita em um curso profissionalizante.

A obsolescência dessa profissão tem sido provocada para satisfazer interesses de custos. Essa é a visão do motorista de ônibus da linha 1987 — Rio Doce/Príncipe, Elias Soares, de 42 anos. Ele relata que a função do cobrador vai muito além de passar o troco para o passageiro. “Graças a Deus eu ainda trabalho com a Andreia [cobradora] e durante as viagens ela me ajuda muito, principalmente no controle do fluxo de pessoas que sobem e descem nas paradas. Muitas vezes, pelo coletivo estar muito cheio, eu não consigo ver quem sobe e desce e é ela quem me dá suporte, regulando esse fluxo; sem falar que é uma companhia para mim. Temos uma relação muito boa e conversamos constantemente durante o percurso”.

Para ele, a retirada dos cobradores não vai favorecer em muita coisa para quem oferece o serviço e para quem usufrui dele. “No final das contas todos saem perdendo. Perde o motorista, o cobrador e o passageiro, que além de andar nos ônibus muitos cheios, serão os principais alvos dos bandidos”, justifica.

Esta reportagem é uma co-produção de Fabio Nóbrega, Pedro Oliveira e Victor Tavares, estudantes de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco.

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