Morbgym tales

Desde que embarquei nessa nave louca chamada medium, há um post atrás, prometi pra mim mesmo que não escreveria mais nada sobre tema do meu primeiro post, não por razões sérias ou mirabolantes, somente por temer que o mundo virtual descubra o quão entediante e monotemático posso ser. Aliás, isso me fez perceber que quando me vejo em uma situação inédita, tendo a observá-la exaustivamente, e ao querer dividir essas observações com o mundo acabo repetindo a temática das minhas conversas com os amigos mais próximos. Ainda não sei se sou um grande apaixonado pela vida e suas nuances, ou só uma pessoas entediante mesmo, talvez isso dependa do ponto de vista.

Voltando a primeira linha, prometi que não voltaria ao tema que usei para me inserir nesta plataforma. Menti.

O dia a dia na academia

Esse pode ser um ambiente muito peculiar e até mesmo hostil, depois de alguns meses frequentando-o assiduamente, começo a notar alguns padrões comportamentais da fauna local.

Antes de ir a eles, gostaria de parabenizar a franquia de academias na qual sou matriculado, acho lindo o trabalho o trabalho que desenvolvem com os profissionais da educação física que sofrem de labirintite, sempre que os vejo apoiando-se nos aparelhos ou mesmo nas jovens frequentadoras do recinto – que se solidarizam com a situação – penso na trajetória de lutas pela qual aqueles rapazes semi-fortes com o braço fechado por tatuagens orientais passaram para que hoje possam ocupar aquele espaço.

A galerinha bonita

Claramente existe uma estirpe que frequenta esse ambiente nefasto não somente com o intuito de melhorar seu físico ou saúde, mas para também manter em dia a prática do ver e ser visto, o que não é um problema, exceto quando aquele cara interdita justamente o aparelho que você pretende usar para ficar no celular contando falando sobre os pares de sapatênis comprados em alguma outlet da vida, ou então jogar conversa fora com aquela gatinha que treina no mesmo horário. Um fato curioso sobre essa espécie é que possuem a habilidade de triplicar a duração do treino, tanto do seu próprio como dos que precisam ficar esperando a boa vontade/término do assunto pra usar o aparelho ocupado por um deles.

Workout for workout

Um dos tipos de academia que mais me irrita é a galerinha trve fitness, diametralmente oposto a geração instagram fit vlog do Léo Stronda. Essa categoria, que pode agregar componentes da terceira idade, realmente acredita nos exercícios físicos como estilo de vida, aparentemente esses não se foca em resultados, coisas como a liberação de acido lático, endorfina ou qualquer outra substância que os valha é o suficiente para que voltem para as suas casas felizes da vida. São os marombeiros franciscanos.

O gordo

Geralmente treina por recomendação médica. Acho que já está fodido o suficiente com os problemas de saúde e com o ingresso quase compulsório na casa da dor. Não tem muito o que falar

O magro

Se tem uma coisa mais humilhante que gente muito gorda na academia, é gente muito magra na academia. O gordo ainda pode usar a desculpa de estar ali por recomendação médica, problemas de saúde, etc. Já o magro está lá porque tem a pretensão de ficar forte, deve ser terrível ter seus objetivos expostos assim.

Os gortes

Para evitar o horário de pico da academia costumo fugir do período entre às 18 e 20h, chegando às 21, que em via de regra é um horário mais tranquilo, e a minha saída geralmente acontece pouco depois das 22h. Tal qual um mago invertido, a minha saída nunca se adianta ou se atrasa, sempre acontece na hora certa, na hora que chega a gangue dos Gortes. Gorte é aquele cara que fica na limiar entre estar gordo e forte, tem bração mas não tem definição, levanta um peso absurdo mas só faz exercício articulado de braço. Essa galera não faz nada demais, só atiça o meu ranzinzismo mesmo, fica o registro.

Bonde da maromba

Esse é o tipo mais conhecido, o famigerado rato de academia, frequenta o recinto assiduamente, come frango e batata doce, externa a amargura dessa vida de restrições impostas por uma dieta de merda olhando com desdém pra qualquer um que tenha menos que 40 centímetros de braço.

Havia um espécime desse que costumava treinar com uma camisa cuja a estampa era um frango semelhante ao da sadia, porém sem os óculos, pouco acima dele havia o desenho de um ovo quebrado, ao lado completando a obra magnífica havia a frase “Frango é meu ovo”, imagino que a ideia fosse fazer um trocadilho envolvendo dieta hiperprotéica. Na pratica é o mesmo que arrancar o próprio órgão genital com um fórceps. Esse mesmo sujeito recentemente entrou no lugar do recepcionista antigo, que era um cara gente boa, mas não cumpria o estereótipo esperado de alguém que ganha a vida naquele local. Inclusive deixo os meus parabéns pro setor de recrutamento da empresa pelo desprendimento de contratar um sujeito desses.

Certamente faltam muitos arquétipos nessa breve observação. Esses ficam pra uma próxima, acho.