Além de apoiar os atletas de alto rendimento, é preciso cuidar da base

Foto: Donna Bowater

A tão esperada festa de abertura da Olimpíada Rio-2016 será nesta sexta-feira (5), no Maracanã, no entanto, o assunto aqui não é esse. Às vésperas de mais uma edição de jogos olímpicos, é explícito como os responsáveis por comandarem o esporte no Brasil são egoístas e pensam — exclusivamente — nos atletas de alto rendimento. Isso é uma questão cultural e que parece ser uma filosofia perpetuada.

Se você pensar que o esporte é uma grande ferramenta para mudar a vida de uma pessoal, não só das que se tornam profissionais, mas os ensinamentos e experiências que professores de diversas modalidades podem passar para seus alunos. Desta forma, seria necessário implementar de maneira séria nas escolas brasileiras, diversas modalidades esportivas, para que cada criança pudesse conhecer, praticar, se educar e, talvez, se tornar um esportista de alto rendimento, que pudesse transformar o suor em medalhas olímpicas.

Isso seria uma seleção natural de atletas ao longo da caminhada escolar — como acontece nos Estados Unidos, por exemplo. Em uma representação de 100 crianças, é bem capaz de poucas se tornassem especialistas e fortes dentro de suas modalidades, mas o número seria bem maior do que é hoje e, claro, mais justo. Teria incentivo e perspectivava de ser um profissional e viver do esporte. A verdade é que, se não for o futebol, o sonho de qualquer outra modalidade é quase uma utopia.

Diferente deste investimento, federações e políticos se preocupam apenas com o alto rendimento. Atletas que possuem capacidade para disputar uma medalha de ouro ou que possam ganhar um campeonato mundial. Basta olhar as grandes estruturas para o vôlei, ginástica, judô, entre outras, que foram construídas em preparação para os jogos olímpicos. Quantos atletas vão ter acesso a isso? Poucos, bem poucos. Enquanto, para se tornar uma Maurren Magi, Sarah Menezes, Arthu Zanetti, Torben Grael, Aurélio Miguel, Marta, entre vários heróis brasileiros, é preciso enfrentar o mundo e nadar contra a concorrente. Sem apoio. Daí, quando chega ao ápice, o investimento aparece. Já pensou quantos (prováveis) campeões ficam pelo caminho? Desistem por falta de apoio e investimento.

É desleal e desumano o que os atletas brasileiros passam até chegar ao topo. Ao invés de aplaudirem, mesmo quando não conquistam o ouro, muito vaiam, criticam e os chamam de ‘amarelões’. O Brasil não aproveita ganchos de ídolos, como Guga, Marta e vários que aparecem do nada. Surgem em meio ao caos, brilham e o país não surfa nesta onda.

É preciso olhar para baixo, começar a construir o castelo nas pedras, torna a base sólida. A educação e o esporte caminham lado a lado. É difícil isso entrar na cabeça de quem comanda e dita as regras no Brasil. O dinheiro destinado ao investimento, são realocado para próprio bolso. Não atoa, diversos sucateiam as federações e são flagrados em esquemas milionários de corrupção. Que venham ouros no Rio-2016, contudo, a maior conquista é tornar o esporte acessível a qualquer pessoa.