Durante uma das principais crises imigratórias, futebol surge como ferramenta de socialização

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O mundo vive uma das maiores crises imigratórias ao longo da história, onde refugiados de países que se encontram em guerra civil no Oriente Médio e África, fogem para o continente europeu, na maioria das vezes. Neste enredo, o esporte, mais uma vez, deu provas de como são importantes os imigrantes na formação de uma cultura. Na UEFA Euro 2016, algumas seleções foram formadas a partir de integrantes de várias culturas distintas e religiões opostas. Um exemplo de convivência e cidadania.

Três casos bem marcantes são da Alemanha, França e Portugal, que chegaram às semifinais do torneio. Todas essas equipes são, hoje, formadas por imigrantes, descendentes de ex-colônias ou fugitivos de guerras. Os franceses conquistaram a Copa do Mundo de 1998, tendo também, boa parte da delegação vindo de outros países. Zidane, Trezeguet, Vieira entre outros. Os portugueses, em outrora, tiveram Eusébio e atualmente outros tantos. A Alemanha, campeã do mundo em 2014, com turcos, poloneses e africanos.

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O que mais marca é o fato de uma parcela da população, com medo de ataque terroristas e outras xenofóbicas, serem contra a entrada de imigrantes. A história desses e de outros países são feitas a partir de pessoas de outras nacionalidades, o multiculturalismo e a diversidade religiosa. É preciso ter um controle e uma maneira legal que permita o acesso desses povos que buscam apenas viver em paz.

No domingo (10), no Stade de France, a final entre França e Portugal marcava muito bem isso. Tornava explícito a quantidade de jogadores com traços de outras culturas e que se doavam em campo para representar seus respectivos países. Era amor, sangue e suor.

“É um troféu para todos os portugueses, para todos os imigrantes, todas as pessoas que acreditaram em nós. Estou muito feliz e muito orgulhoso” disse o Cristiano Ronaldo, quando chegou à Portugal.

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Alguns tiveram a oportunidade de construir uma vida nova, após fugirem de conflitos. Trabalharam, deram o máximo o que podia e, atualmente, podem bater no peito de falar: 'sou português' ou 'sou francês'. Como é o caso de Éder, nascido em Guiné-Bissau, que marcou o gol mais importante da história da seleção lusa. O futebol vai além do jogo, é uma ferramenta de socialização e muita das vezes o único motivo de uma pessoa ou uma nação sorrir.