Flamengo precisa controlar ‘euforia’ para não queimar (mais) etapas com Vinicius Jr

Vinicius Junior fez sua estreia com time profissional do Flamengo no último sábado (13)

Nesta terça-feira (16), o Flamengo anunciou a renovação contratual da promessa Vinicius Junior, até 2019. Além de um aumento considerável no salário do jogador, a multa rescisória passou de 30 milhões de euros (cerca de R$ 102 milhões) para 45 milhões de euros (cerca de R$ 154 milhões) — valor estipulado que o Real Madrid deverá pagar pelo atacante. É certo que o clube vem fazendo para se proteger, mas é cada vez mais inevitável a saída para o time espanhol em 2018, quando a joia completará 18 anos.

No entanto, o processo de inserção de Vinicius Junior na equipe principal está sendo feita de maneira eufórica, ao meu ver. É lógico que o momento é bom, o time conquistou há menos de 15 dias um título, tem um elenco de respeito, jogadores mais carimbados, porém, é válido frisar que o atacante tem apenas 16 anos. Completará 17 daqui a dois meses. Não tem necessidade de o colocar imediatamente para jogar, como no último sábado (13), na partida contra o Atlético-MG, que abriu o Campeonato Brasileiro.

O talento do jogador é inevitável e a pauta aqui não é essa, para deixar bem claro. Quem teve a oportunidade de assistir ao jogo, viu que em poucos minutos em campo, o jogador sentiu a pressão de 40 mil torcedores rubro-negros — o que é natural. Errou passes bobos, lances infantis, tudo fruto da ansiedade de um menino que vive um conto de fadas. Afinal, quem nunca sonhou em defender o clube do coração e ser alvo de um gigante europeu?

Há poucos dias, Vinicius estava jogando um torneio sub-17, que é uma realidade completamente diferente do profissional. É preciso integra-lo melhor aos profissionais, leva-lo para os jogos, sem a pressão de estrear. Apenas para sentir o que é, de fato, vestir a camisa principal do Flamengo. A importância e, principalmente, a responsabilidade de representar as cores da equipe. Por mais que a política dentro do clube seja também de revelar e mostrar a força da base, a pressão em cima do camisa 20 é acima do normal. É fruto do que ele vem fazendo nos últimos meses nos mais distintos torneios com o Rubro-Negro e a Seleção Brasileira.

Particularmente, acho errado essa pressão e projeção que a imprensa — em especial — cria em cima de meninos da base. Todo ano surge um novo “talento precioso” que acaba não vingando ou, então, demora a engrenar. Neymar e Gabriel Jesus sofreram com isso. O primeiro levou cerca de duas temporadas para finalmente se firmar como jogador que se esperava dele. Já o segundo pouco mais de seis meses até fazer o primeiro gol nos profissionais e ainda lidou com a alternância que a pouca idade carrega.

A torcida, em um modo geral, é afobada e precipitada, mas os responsáveis pelo futebol do Flamengo não podem ser. No sábado, o jogo estava empatado em 1 a 1, com o placar aberto e Zé Ricardo, treinador rubro-negro, sucumbiu aos gritos da arquibancada para promover estreia do garoto. Errou. Não era um jogo para isso. Vinicius precisa de tempo e confiança para mostrar seu puro e refinado talento. Na história, diversos jovens promissores foram desperdiçados por não serem bem lançados aos profissionais. É um momento delicado, que exige sensibilidade dos gestores. O maior campeão carioca não pode cometer esse erro.