O medo que impulsionou a Ponte Preta, faltou na decisão contra o Corinthians

Ponte Preta precisa de uma virada inédita para ser campeã pela primeira vez

Deixo claro, logo neste primeiro parágrafo, que não vou analisar a derrota da Ponte Preta para o Corinthians com citações a esquema tático, escolhas do técnico e qualquer outro item futebolístico. O foco deste artigo será a mentalidade da Macaca, ou simplesmente a parte psicológica da equipe para esta decisão que poderia encerrar uma fila 117 anos.

A Ponte Preta é, há algum tempo, um adversário “encardido” para os principais clubes de São Paulo e até mesmo do Brasil. A equipe costuma a fazer jogos difíceis, “roubar” pontos e atrapalhar os objetivos dos principais times. Neste Campeonato Paulista, eliminou nada menos do que o campeão e vice do Brasileirão de 2016: Palmeiras e Santos. Já na decisão, contra o Corinthians, que é apontado como a quarta força, a Macaca subiu em casa por 3 a 0.

Como? Essa foi a pergunta de torcedores de diversos clubes, principalmente palmeirenses e santistas. Eu diria, com base no que eu aprendi na faculdade de jornalismo, ao longo de quatro anos, que o medo impulsionou a Ponte nas quartas e semifinais. A equipe sabia que não era favorita. Tinha plena consciência de que se avançasse, seria algo que surpreenderia. É aquela história: o medo fez o clube a ser perfeito e ter atenção o tempo inteiro. Tornou os jogadores mais aguerridos e bravos, pelo fato de saberem que um erro, poderia ser fatal para as pretensões de ser campeão.

Na decisão, pela camisa e grandiosidade, o Corinthians naturalmente era o favorito, contudo, não era O FAVORITO. Hoje (nesta segunda-feira), o discurso na imprensa é diferente, mas há uma semana, vários jornalistas, pseudo-jornalistas e comentaristas destacavam o equilíbrio deste embate. Alguns, apontavam um 50x50 de chance para cada um.

Obviamente, em Campinas, a sensação ao saber que estava pegando “a quarta força de São Paulo” deu um alívio. O tom de equilíbrio da imprensa pesou e o medo caiu. A equipe entendeu que poderia jogar de igual para igual. Deu errado. O Corinthians, do técnico Fabio Carille, que é criticado de segunda a segunda nos programas esportivos, pegou o medo e se jogou, com receio de perder e ter uma crise batendo a porta, já que foi eliminado recentemente da Copa do Brasil, em Itaquera. O treinador fez uma das principais — se não a melhor partida dele no comando do alvinegro — e se aproximou do título.

A Ponte necessitava do medo para ser precisa, letal e ter todo o cuidado contra as investidas corintiana. Isso moveu a equipe até a decisão, com uma atuação de gala contra o Palmeiras, em casa. Não só no futebol, mas tomamos muitas atitudes movida por esse sentimento em nossas vidas. Em boa parte, somos bem-sucedidos. Desta vez, a Macaca falhou.