Retranca ou estratégia?José Mourinho enxerga o futebol como jogo de xadrez

Na temporada 2003/2004, o mundo conhecia um estrategista de primeira linha. Um técnico que trata o futebol como jogo de xadrez, encaixando peças e sabendo exatamente como derrubar o rei e a rainha do seu oponente. Nem sempre o resultado é o esperado, mas em finais, José Mourinho é fantástico. Nesta quarta-feira (24), em Estocolmo, na Suécia, o português foi peça chave na vitória do Manchester United, por 2 a 0, na final do Liga Europa, contra o Ajax.

A equipe holandesa, tão tradicional no cenário futebolístico quanto o United, vive uma momento diferente: apostar em jovens valores, ao invés de jogadores consagrados ou contratações impactantes. Durante toda a competição, deu certo. Um futebol ofensivo, leve e atrevido. Na decisão, a história foi diferente.

Mou soube estudar cada detalhe do Ajax. Armou sua equipe de maneira precisa para evitar a penetração do oponente e, assim, neutralizou qualquer ação ofensiva. Foram 90 minutos impecáveis. Não é fácil manter a concentração defensiva de uma equipe por muito tempo, ainda mais quando esse time não tem o teor defensivo, como uma Juventus, por exemplo.

Após a vitória, o treinador disse que "há muitos poetas no futebol, mas os poetas não ganham muitos títulos". Mourinho não cria, ele enriquece o que possui. Tirar o melhor que o grupo tem e o que o jogador pode render. Vende sonhos, mas os constroem com raciocínios sólidos, de maneira que o jogador entenda e possa desenvolve-lo.

Mourinho é ame ou odeie. Sempre foi assim, seja no Porto, Chelsea, Internazionale ou Real Madrid. Você pode não gostar, mas nunca poderá negar a eficiência e inteligência deste treinador.

Já o Manchester, que viveu uma crise de identidade após a aposentadoria de Sir Alex Ferguson, encontra um líder para levar o clube a novas conquistas. Vencer a Liga Europa, título inédito, resgata o orgulho do torcedor e o desejo de ser temido como antes. Assim como Mou, os Diabos Vermelhos despertam o “amor ou ódio”, impossível ser indiferente. Nesta conquista, a experiência, estratégia e sabedoria pesaram. Em terra de poeta, Mourinho é o professor de literatura: conhece tudo, estuda muito e sabe cada passo que os gênios vão dar. Se antecipa, lê as entrelinhas e impede o imprevisível. Para alguns é retranqueiro. Eu prefiro chama-lo apenas de campeão.