É muito difícil participar de painéis. Por que? Porque você está lidando com a expectativa de uma audiência que está ali pra ouvir o que você diz, o que você tem a compartilhar. Lidar com expectativas dos outros é sempre um desafio gigante.


Eu estava com todas essas questões em mente quando minha chefe me disse que eu poderia ir a um painel de empreendedorismo no lugar dela, representando o nosso local de trabalho para jovens de escolas públicas de Belo Horizonte. Jovens. Adolescentes, que hoje tem Instagram, Facebook, YouTube, blogueiros e gamers como entretenimento. Como prender a atenção deles e, o mais importante, será que eles queriam me ouvir?

Eu estava muito nervosa, confesso. Quando eu percebi que eu iria falar pra cerca de 120 adolescentes, eu tremi nas bases. Eu só pensava “e se perguntarem algo que eu não sei?” “E se eu gaguejar?” “E se tudo der errado?” Eu me vi ali cheia de dúvidas, inseguranças e incertezas. O Universo tem jeitos curiosos de te presentear e de te surpreender: exatamente nessas horas que você acredita que vai dar tudo errado.

À convite da Junior Achievement Minas Gerais, eu fui convidada para integrar o debate do 6º Encontro Ação e Cidadania, cujo tema era empreendedorismo e startups, um assunto que parece rotineiro pra quem o vivencia, mas é desconhecido pra maioria das pessoas. Vivemos em uma bolha.

Eu dividi a mesa com pessoas incríveis: Matheus Luiz (Seja Direto), Guilhermina Abreu(Embaixadores de Minas), André Rocha (Gooders) e Felipe Nogueira (Wavee). Todos nós fomos mediados pela maravilhosa Carolina Antunes (NaAção), que soube conduzir o debate brilhantemente e que nos disse que estávamos diante da nossa plateia mais difícil e crítica. “Se vocês sobreviverem a esse painel, vocês sobrevivem a qualquer outro”. Eu dei aquele riso nervoso e lá fui eu tentar sobreviver.

Os participantes do painel: Matheus, Guilhermina, Carol, André, Felipe e eu.

Eu era a única não empreendedora do grupo. No entanto, como dissemos no debate, empreendedorismo é um estilo de vida, é ser corajoso, confiante, é saber olhar para as situações e problemas como uma oportunidade. É ser resiliente. Todas essas características você pode ter dentro do seu trabalho também. É o que eu faço no SEED MG: eu me arrisco, diariamente, eu atendo meus clientes (os empreendedores acelerados) com o melhor que posso, eu adapto meu produto às necessidades, eu gero valor na minha entrega. De certa forma, eu sou empreendedora. Tenho colhido bons frutos por isso! :) Pra vocês terem uma ideia, o programa de difusão do SEED consiste da contrapartida no curto prazo dos empreendedores acelerados para a sociedade mineira, por meio de workshops, palestras, mentorias e disseminação do comportamento empreendedor por toda Minas Gerais. São 853 municípios, divididos em 17 territórios regionais. Em 4 meses de programa, os empreendedores já foram a 12 territórios e já impactaram mais de 16 mil pessoas. E eu tô a frente desse negócio. (!)

Eu tenho uma dificuldade tremenda de falar sobre mim mesma e aquele painel era pra contar das suas experiências no caminho empreendedor, de dar dicas pra aqueles jovens me ouvindo. Quando na vida eu ia imaginar que alguém ia querer ouvir o que eu tinha a dizer? E desde que eu comecei a trabalhar na SEDECTES tanta gente já parou pra me ouvir… mas ali era especial, eram jovens inquietos, curiosos, era a base da mudança.

A gente fala muito de impacto e de mudar a realidade das pessoas. Eu, que vivo falando que quero salvar o mundo – e que (ainda) não sei como, tive três provas do Universo recentemente de que já faço isso: falando com pessoas sobre o que eu faço, sobre as minhas experiências e ajudando quem já muda efetivamente o mundo. Mudar o mundo tem a ver com se conectar com a realidade do outro. E eu já tenho feito isso há algum tempo.

Da mesma forma que eu acredito que a gente possa ter impactado parte daquelas mentes inquietas na plateia, eu fui muito impactada. Pelos jovens, pelas pessoas que dividiam o debate comigo, pelos professores, por cada pessoa ali. Tudo é conhecimento, é aprendizado. Nada me deixa mais satisfeita do que conhecimento.

Eu terminei o debate dizendo que se eu pudesse voltar no tempo eu estudaria mais e aproveitaria mais as oportunidades de conexão, porque hoje eu sei como são valiosas. Elas que fazem o meu trabalho acontecer! E se eu soubesse disso antes, eu teria investido mais em habilidades de comunicação, de perder a timidez mais cedo. Terminei também dizendo que uma palavra iria acompanhar aqueles meninos pro resto da vida: resiliência.

É preciso aprender a tomar porrada e se levantar cada vez mais forte. A vida e o empreendedorismo ensinam isso. Terminei aquele debate com uma salva de palmas tão linda, tão enérgica, que eu saí dali renovada. Sobrevivi. Eu saí dali com a sensação de que tinha salvado um pedacinho do mundo, mesmo que eu nunca venha a saber disso, porque você não sabe como (ou se) marcou a vida de alguém. No entanto, essa semana andou me dando uma certeza: eu tenho cumprido meu objetivo, ainda que de maneira sutil, mas tô chegando lá. ;)