Borboleta Pequenina
Subindo a ladeira (infinita) da Rua Alice, eu borboletava, mais um vez, na minha busca - infinita - por uma nova educação. Fosse Rua Alice, ou País das Maravilhas, eu e duas amigas chegávamos na casa de uma mulher que eu não conhecia… Madrinha — como ela mesma diz — de vários projetos inovadores de educação, foi receptiva a ponto de receber, na sua própria casa, três meninas desconhecidas e ávidas por inspiração.
Quando a porta abriu, tentei me dividir entre estar ali e buscar — em algum lugar da minha mente (sempre muito esquecida) — a explicação por aquele rosto me ser tão familiar. Já um pouco desconfortável com a agitação desse movimento que é buscar uma memória no vazio, ouvia Ana contar sobre ela enquanto perguntava sobre a gente e as nossas histórias se teciam sobre a mesa de madeira.
Em algum lugar daquelas linhas nossas lembranças cruzaram, Ana levantou e me deu um abraço apertado, desses que a gente fica pequenininho. Fosse País das Maravilhas ou Rua Alice, fiquei pequena como tivesse 4 anos, sentada em uma mureta de pedra, conversando com um adulto sobre os meus vazios de lagarta sem casulo.

Ana já borboletava enquanto eu ainda era lagarta, borboletava na minha própria escola, que já se propunha em deixar cada um viver sua metamorfose e construir o casulo no seu próprio ritmo. Lembrei do que recebi ali, agora com olhos de quem já voou, e senti uma gratidão profunda pela nova educação que, sem saber, eu já tinha dentro de mim.
