Cansaço e isolamento
Quem você levaria pra uma ilha deserta?

Na atual conjuntura eu não levaria ninguém. Eu queria era ficar na tal da ilha deserta sozinha.
Recentemente li um livro onde o personagem principal, após passar por muitos problemas e traumas emocionais, compra uma casinha no meio do nada e se esconde lá. Então ele passa meses sozinho nessa casa, apenas desenhando, ouvindo e escrevendo música, até alguém chegar pra salvá-lo desse “retiro espiritual”.
Durante a leitura e algum tempo depois, um pensamento constante rondava minha mente: tudo que eu queria da minha vida era fazer como esse cara. Na minha cabeça seria um sonho poder me isolar, mesmo que só por alguns meses, pra me recuperar desse meu cansaço inerente do ser.
Nunca na minha vida me senti tão cansada. Física e mentalmente. Principalmente mentalmente. Nem em ano de vestibular. Nem quando eu acordava 5h da manhã todo dia pra ir ao colégio. Nem quando eu fazia treinos de Ginástica Rítmica com mais de 3h de duração.
Não é o “preciso dormir”-cansaço. É “preciso-de-férias-da-vida” — cansaço.
Sei que estou fazendo TTC e isso de alguma forma explica meu cansaço. Mas é muito mais a ansiedade que a quantidade de trabalho pra fazer. É a incerteza de que vou conseguir terminar a tempo, fazendo um trabalho bom e que me possibilite finalmente o famoso diploma.
Já sabendo do sofrimento que iria passar nesse ano, ditei algumas regras pra mim mesma, como tentar dormir mais de 7h por noite, parar de consumir bebidas estimulantes e não deixar nada pra última hora. Mesmo seguindo essas e outras “regrinhas” mais, não consigo deixar de me sentir cansada/ansiosa. Por várias noites não consigo dormir ou acordo milhares de vezes durante a noite. As crises de gastrite e as dores de cabeça seguem firmes e fortes.
Na minha última crise de ansiedade, uma professora da faculdade me perguntou se eu estava assim por causa do TTC ou por causa de tudo. É por causa de tudo. Não sei mais lidar com as coisas. Minha mente não para de ter uma média de 1 bilhão de pensamentos por minuto e meu cérebro parece que vai explodir. Não consigo relaxar. Talvez por isso eu esteja escrevendo esse texto ao invés de assistir uma série ou uma prova das Olimpíadas.
A minha vontade é pegar minha trouxinha e me isolar numa cabana no meio do nada, assim como o personagem do livro. Na história, ele volta do isolamento e é questionado pelas pessoas sobre o porquê do retiro. Ele apenas diz que se não tivesse o feito, ele nem estaria ali respondendo essa pergunta em primeiro lugar. Então parece que essa seria a minha solução e salvação. Que manteria sã. Não tenho certeza de quase nada na vida, só sei que tô ficando louca. E Bjork, minha amiga, me chama pra morar na sua casa.