Livro: Shamtaram
No primeiro dia do ano eu terminei um dos melhores livros que li na minha vida. Shamtaram é um livro gigante, com mais de 900 páginas. Mas não se assuste com o tamanho, ele vale muito a pena de ser lido, principalmente se você gosta de livros com bastante detalhamento e muitas emoções.
Shamtaram é uma obra baseada na vida do próprio autor, Gregory David Roberts, que foge de uma prisão de segurança máxima na Austrália e como fugitivo, vai parar na Índia. A maior parte da narrativa se passa na cidade de Bombaim/Mumbai, onde o narrador, que recebe o apelido de “Lin”, tenta reconstruir sua vida, faz amizades e também se apaixona.
Uma das coisas que mais gostei no livro foi as descrições detalhadas da cidade de Mumbai, que ao mesmo tempo que salientam as belezas, coisas boas e lindas paisagens, também mostram a pobreza, a violência e problemas de infraestrutura da cidade. O autor descreve uma Índia real, sem embelezar e enfeitar a realidade e nos emociona com a paixão que o mesmo demonstra pelo lugar.
Outra coisa que gostei no livro é a quantidade de aventuras que Lin enfrenta durante toda a sua jornada. São tantas aventuras chocantes, perigosas e surpreendentes que te deixam totalmente perplexo. Apesar do alto grau de detalhamento, não é uma narrativa cansativa, é na verdade bastante frenética, com uma quantidade e velocidade de acontecimentos bem elevada.
Além do que citei anteriormente, dois fatores que mais me fez gostar do livro foram: o desbravamento de lugares/culturas desconhecidas e a apresentação de um personagem dúbio. O primeiro fator está presente em alguns dos meus livros favoritos, que é a ambientação da história em um local desconhecido pelos personagens, onde os mesmos tem que se adaptar e tentar lidar da melhor maneira possível com as diferenças culturais, climáticas e ambientais. Em Shamtaram, a história se desenvolve na sua maior parte na Índia e em uma pequena parte no Afeganistão, então é possível aprender bastante sobre a cultura e os costumes desses lugares e ao mesmo tempo observar a desenvoltura dos personagens nesses novos ambientes.
O segundo fator é o desenvolvimento de personagens dúbios, ou seja, personagens que não são inteiramente bons ou ruins, mas que tem atitudes benignas ou malignas dependendo do contexto de cada situação. É aquele personagem que apresenta condutas caridosas, justas e adequadas e que também apresenta atitudes ruins, egoístas e até mesmo criminosas. É o personagem que faz você criar uma empatia por ele, de modo que você torce para que ele se dê bem, mesmo que as ações dele sejam consideradas erradas e delituosas. Em Shamtaram, Lin é um ladrão, que foragido da justiça, tenta reconstruir sua vida na Índia, ajuda os pobres na favela de Bombaim em um posto de saúde improvisado. Porém, ele acaba trabalhando com a máfia, em negócios de falsificação de documentos e passaportes. Enquanto vive uma vida confortável com dinheiro do crime, ele também ajuda amigos e conhecidos necessitados com esse dinheiro.
Shamtaram é uma história de amor por uma cidade, por amigos e por um povo. Tentei não dar muitos spoilers porque acho que a experiência de lê-lo totalmente “no escuro” é extraordinária. É um livro que eu altamente recomendo e inclusive já comentei com inúmeras pessoas sobre ele. Aproveite o início do ano para começar a ler ou botar na sua lista de livros para ler esse ano.
Leia a sinopse de Shamtaram e as resenhas dos usuários do Skoob clicando AQUI.