As the moon, so beautiful.

Hanbun no Tsuki ga Noboru Sora

A época natalina chega, assim como a esperança de renovação, recomeço; nos encontramos envolto pela vontade de (re)criar percepções, momentos, sentimentos, sabores… O fim de um ciclo, seja ele qual for, carrega consigo a grande responsabilidade de encher os corações dos envolvidos, e florescer, novamente e sempre, o solo fértil da vida.

Os piscas espalhados por casas, quartos, varandas e ruas, remetem — muito mais do que a estrela que está imóvel no ponto mais alto das árvores de natal — aos pontos luminosos distantes de nosso céu, no entanto, visíveis e apaixonantes.

A mistura de cores e luzes explode dentro dos corações dos mais sensíveis. Não importando crença, idade, religião, etnia ou qualquer uma das características inúteis, criadas por nós próprios, com a finalidade de delimitar o que somos cada um de nós; esquecendo, porém, que, no fim e indubitavelmente, somos apenas a mesma espécie de animal.

As canções alegres cantadas, e muitas vezes esquecidas, embalam os indivíduos, adocicando, através da audição, nossos pensamentos, nos tornando, por mera consequência, mais humanos; ora, são nesses raros momentos que, talvez, cheguemos mais próximo do que podemos definir como divino — não importando o que seja, ou quem seja.

Em meio a tudo, estava você. Em uma noite clara e sem nuvens, onde o vento dava, literalmente, o ar de sua graça, fazendo com que seus cabelos fossem levemente acariciados pela brisa natalina. Embalando as minhas visões e pensamentos, em um misto de euforia e dúvida, você se tornava meu único horizonte.

Eras, para mim, a própria Penélope. Me encontrei desejando que tu reconhecesse que és nada menos que minha vida e minha terra; responda-me, então, poderia eu ser digno de me autoafirmar teu Ulisses?

Ao saber que o corpo humano é um ótimo condutor elétrico, não me admira que, em um simples toque de dedos, ao unir nossas mãos, ou no simples ato de encostarmos os nossos rostos, eu sentiria como se um raio percorresse todo meu corpo, chegando ao meu espírito e minha alma.

A culpa é toda sua por esse meu tão grande sofrimento — claro que não falo das breves agonias, causadas pela tão profunda saudade que sinto pela tua tão notável ausência. Falo do sofrimento causado pelos sentimentos que preenchem meu ser, ao notar o simplório fato de que me encontro ao teu lado. A magnitude é tamanha que, em alguns momentos, receio meu corpo físico não ser capaz de comportar.

Saiba, também, que os maiores enfeites para tua beleza não são os brincos mais caros, ou vestidos mais pomposos. Não, minha Penélope… O que mais combina com ti, e com toda tua beleza, é tua pele ser iluminada pela luz da lua, teus cabelos serem penteados pelos ventos, e teu cheiro ser amplificado pelos aromas dos belos campos de flores, os quais emitem aromas incomparáveis, no entanto, não dignos de serem competidores com o teu.

És, enfim, a criatura mais linda existente em toda essa vasta terra. Portanto, como a lua, és tão linda. E, querida, a lua está realmente linda.¹

¹assim como o título do texto, e todo seu conteúdo, a última frase tem direta influência da tradução da expressão “I Love You”, feita por Natsume Sōseki.

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