Você é o 6,271,726º visitante/leitor

Créditos: Creke Aires, fonte: https://www.instagram.com/p/BX4NRUsFFEH/

Como em um passe de mágica, essa mensagem me apareceu. Extremamente fiel ao seu objetivo, ela me indicou qual era meu número depois das tantas vezes que a mesma página fora aberta. Infelizmente, ela conta repetidamente, não foi a primeira vez que eu estivera lá.

Eu era o 6,271,726º, mas, a partir de agora, eu abreviarei para 71º, pois, na minha cabeça, soa bem mais bonito. Eu poderia ser o 71º leitor, no entanto, minha cabeça já havia visitado aquela mesma página, aquele mesmo texto, muito mais do que setenta e uma vezes. Quantos dias eu teria ido e vindo em pensamentos e sentimentos, quanto tempo perdido eu gastei me desgastando e deslocando para um local que nem sequer existe.

A virtualidade se tornou viral porque é um sonho, ou se parece com um. As páginas são abertas e fechadas em um passe de mágica, temos tudo na palma da mão, podemos até mesmo visitar a china em trinta segundos, sem sequer mexer nada mais do que os dedos. E, esse modo, é bem mais barato que comprar passagem econômica em avião de segunda classe.

No entanto, não era virtual, no fim, era apenas o meu sonho, o sonho em que eu entrei e sai, abri e fechei a porta incontáveis vezes. Era o sonho a qual eu não pertencia, sequer pertencia a mim, um sonho tão sonho que não existia. Há uma linha tênue entre sonho e ilusão, e me parece que ultrapassei essa linha milhões de vezes sem notar.

Eu era o 71º leitor da mesma história, com as mesmas palavras, escritas de formas diferente e com parágrafos reorganizados. Eu transitava entre o eu do passado e futuro, sem me importar com o presente, vendado tentando segurar uma balança, esperando virar a Têmis e equilibrar todo o espaço-tempo ao meu redor, me fazendo respeitar a justiça dos momentos passados.

71ª vezes, não… 6,271,726ª vezes. Quem sabe esse número se aproxima da realidade mais do que penso; hei de ter perdido as contas, as noites em claro e os dias escuros por esse mesmo sonho. No fim, a realidade o sufocou, até que ele desistiu e virou sonho.

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