Devaneio

Lembro-me da noite passada em que caminhávamos, pela madrugada, na rua. Luzes apagadas, pois não moramos num lugar perfeito, mas a sua gentileza clareava o meu espírito e, sem dúvidas, isso já era o suficiente.

Com sua classe, perguntou-me diversas vezes a que horas chegaríamos a asa, já que havia um compromisso na manhã seguinte, e eu, como sempre, ao te olhar, não sabia responder, porém, afirmei que gostaria de permanecer na passagem, para que você não tivesse a oportunidade de deitar.

Fui ruim, perdoe-me, todavia, era a única alternativa para continuar observando os seus olhos castanhos.

Que surpresa, chegamos à morada! Vistas cansadas, as suas, havia necessidade de repousar, entretanto, queria nossas almas conectadas, daquela forma que, apenas, a antemanhã concede…

Prendemo-nos com bem-estar, não era satisfação egocêntrica e sim amor.

Respiração uniforme e, pela primeira vez, meu coração bateu agraciado, pois você o ouvia. Sua voz acalmou-me e seu corpo praticava o inverso, fogo e gelo, mas, no final, seguimos, apenas, um caminho, a direção da energia divina.

Dormimos em outro mundo e havia, nele, o cheiro de uma flor libertadora, a qual sentirei imensa vontade de procurar, já que a essência fazia lembrar o seu lindo sorriso.

Quando acordei, consegui recordar-me, somente, do odor e de seus olhos, pelo motivo de não tê-la mais ao meu lado, mas fui à passagem onde estávamos antes do nascer do sol e encontrei a nossa flor de outro cosmo, era uma magnólia, que fez-me trazer à lembrança da totalidade e, assim, notei que foi um sonho, mas levarei a flor, para, nunca mais, esquecer.

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