Cores da Mente

Você já parou para reparar como a sua mente funciona?

Isso mesmo. Como ela funciona. Como ela opera aí dentro. Eu imagino que seja da seguinte forma:

Meu cérebro é um escritório. Possui mesas, cadeiras, papéis, e gente de gravata trabalhando pra lá e pra cá. Eles, os operários, são responsáveis por manter tudo organizado, desde ideias até obrigações. Como sou muito lunático com metodologias, acho que eles trabalham até demais; ou fazem um trabalho impecável. Mas não são os únicos. Lá, também há os que trabalham nas máquinas de academia, responsáveis pelos sentidos físicos do meu corpo. Esteiras para correr, aqueles aparelhos de andar para… andar. Supinos para levantar peso. E por aí segue até um espelho, sim, para quando eu me olho no espelho. Bizarro, não?

O ponto diferente é que também existem o “povo de humanas” (definição que eu detesto, mas é fácil de colocar em contexto). São os que fazem coisas criativas e animadas, qualquer coisa mesmo. E normalmente, os outros não conseguem organizar tudo, pois são “fora da caixinha ou da curva”, como dizem meus professores. Bem, basicamente, eles me fazem pensar diferente sobre a ideia padrão social que eu deveria ter. Então, minhas ideias são arquivadas e organizadas para ter fácil acesso, o objetivo está lá, mas o trajeto é bagunçado e manchado de cores, o que dificulta uma visão estratégica das coisas.

Sempre me pego perguntando: é possível mudar essa organização? Ou… será que minha organização é errada?

Gosto de assistir o filme Divertida Mente. Sabe, aquele das emoções de uma garota em crescimento? É, esse mesmo. Você deve se perguntar “mas, por quê você está me dizendo isso?” e eu te respondo, claro. Gosto dele pois me dá uma visão diferente.

Cena do filme Divertidamente — Disney (2015)

Ao invés de um escritório com gente trabalhando, temos um gigantesco “mar de prateleiras”, extensas e incrivelmente altas, onde guardam frascos de memórias. Toda a memória é tingida por uma cor — amarelo, azul, vermelho, lilás e verde — onde cada um significa uma emoção — alegria, tristeza, raiva, medo e nojinho, respectivamente — . As memórias são ativadas por trabalhadores com um grande aspirador de pó, que envia diretamente para a central de comando, onde as emoções residem, e são reproduzidas.

Além disso, temos as “ilhas de personalidades” que, basicamente, representam as principais características das nossas personalidades. E o mais interessante é que elas são destruídas e reconstruídas com a idade e mudanças de opiniões. Interessante, não?

Ok, mas por que mesmo que eu assisto esse filme várias vezes? Qual a relação que eu crio com os operários e o povo de humanas — vamos deixar os da academia de lado — ?

Pra começar, eu enxergo o filme como uma situação criativa (não venha me dizer “ah, mas Yann, fazer um filme pra criança é baita criatividade” pois não é exatamente disso que estou falando) até que parecida com a minha. Aqui, temos muitas e muitas cores. Ok, são somente cinco? São, sim. Mas por que parar por aí? O filme já me dá indícios, no final, de que as memórias podem ter misturas de cores, como uma lembrança feliz e medonha, resultando num frasco lilás e amarelo. Quem sabe, então, outras emoções não surjam daí?

E se eu começar a ver aquelas cores que tiram meu foco da estratégia como emoções, e aprender a lidar com elas junto ao trabalho? E se eu começar a distribuir papéis coloridos para o escritório, fazendo com que cada arquivo seja relacionado também à emoções?

Nem tudo precisa ser totalmente razão, nem totalmente emoção. O equilíbrio é sempre bom, então, posso assistir mais uma vez ao filme?


Eu posso te garantir que o dia de amanhã será de arrasar.

Se você não assistiu à Divertida Mente, ou Inside Out em inglês, eu recomendo que o faça. Primeiro, por diversão. Depois, comece a analisar todos os pontos que consegue, tente comparar com sua própria mente e, se quiser, venha discutir comigo. Adoro boas discussões coloridas.