NASA anuncia novas descobertas nos mundos oceânicos do Sistema Solar

Ilustração mostra Cassini em meio a plumas em Encélado (Créditos: NASA)

A NASA finalmente matou a curiosidade de todo mundo sobre o anúncio que faria na tarde desta quinta feira (13). Pesquisas com a missão Cassini e com o telescópio Hubble levaram a algumas conclusões importantes a cerca de dois locais oceânicos do nosso sistema solar: Europa, lua de Júpiter, e Encélado, lua de Saturno.

Os cientistas da Cassini, sonda que está orbitando Saturno, conseguiram observar uma atividade bastante interessante que está ocorrendo em Encélado. Segundo os dados da missão, há gás de hidrogênio ‘jorrando’ das aberturas hidrotermais no fundo dos oceanos subterrâneos da lua. Esse gás de hidrogênio seria uma forma perfeita de energia química na qual algum tipo de vida poderia utilizar sem mais problemas.

“Este é o mais próximo que chegamos, até agora, da identificação de um local com alguns dos ingredientes necessários para um ambiente habitável”, explica Thomas Zurbuchen, da NASA. “Esses resultados demonstram a natureza interconectada das missões científicas da NASA que estão nos aproximando de responder se estamos realmente sozinhos ou não”.
As aberturas hidrotermais e a dinâmica com o gás de hidrogênio (Créditos: NASA)

Este gás está saindo das aberturas hidrotermais no fundo do oceano subterrâneo e escapando da superfície para o ambiente da lua. Caso exista algum tipo de vida por lá, este seria um modo perfeito de obter energia através da combinação do hidrogênio com dióxido de carbono dissolvido na água. Esta junção química, conhecido como metanogênese, produz metano. O metano, por sua vez, está na raiz da árvore da vida na Terra.

A sonda Cassini já havia detectado hidrogênio em plumas que saiam de Encélado em 2015 durante uma aproximação da sonda com a lua. Os cientistas conseguiram determinar que cerca de 98% da composição das plumas é formada por água, 1% é hidrogênio e o restante é composto por outras moléculas incluindo o dióxido de carbono e o metano.

Já o Hubble adicionou mais evidências a existência de plumas em Europa, lua de Júpiter. Desde 2014 que os cientistas observam sinais de plumas saindo da lua. A pluma em questão estava a cerca de 100 quilômetros da superfície de Europa. Assim como em Encélado, a presença de plumas em Europa também apontam para a erupção de água na lua.

Plumas observadas em Europa nos anos de 2014 e 2016 (Créditos: NASA)

As ideias para explicar esse fenômeno é de que as plumas aparecem em locais mais quentes da lua e isso significa que a água está sendo expelida da parte de baixo da crosta quando a superfície circundante fica mais aquecida. Outra ideia é de que a água ejetada pela pluma cai na superfície de Europa como uma névoa fina, alterando assim a estrutura de grãos presentes na superfície e permitindo reter o calor mais do que o normal.

Marcado em verde está o local da observação da supostas plumas de Europa. Elas surgem em regiões quentes como mostra o segundo quadro (Créditos: NASA)

Mais informações sobre esses achados a NASA está prometendo para a partir de 2020, principalmente para Europa. Na próxima década, uma missão especialmente para a lua de Júpiter será lançada.

“Se houver plumas em Europa, como agora temos suspeitas ainda maiores, com Europa Clipper estaremos prontos para estuda-las”, finaliza Jim Green, diretor de Ciências Planetárias da NASA.