Resposta ao doutorando do ON Marcelo Santos

Bom, prevendo a ‘treta’ que esse assunto daria, nesta madrugada eu recebi o link de uma carta aberta feita pelo Marcelo dos Santos, colega de Divulgação Científica e doutorando do Observatório Nacional Intitulada ‘Querida Yara, você está um tanto equivocada’.

Antes de começar, eu realmente preciso admitir que fui um tanto rude e grosseira na hora de me posicionar, coisa que já tive a oportunidade de corrigir no texto. Mas foi porque, honestamente, eu não consegui acreditar que cerca de 29 mil pessoas estavam estudando com aquele material que está internet. Eu não sei se fui a única com esse sentimento (alguém que está na licenciatura e tem um apreço e amor por educação científica crescente), mas o meu descontentamento por conta deste episódio será eterno.

Eu realmente, Marcelo, gostaria de saber o que faz o ON (O ON, não eu ou o Pirula, ou o Sérgio Sacani ou o Cristian Westphal, é o ON) a ter erros em seu material educacional. Eu tenho a completa consciência que esse material teve todo um projeto em cima dele: reuniões, planejamentos, mais reuniões, contratação de pessoas, divisão de tarefas. E é justamente isso que não dá pra ficar calada: uma coisa sou eu, graduanda e divulgadora científica pequena com menos de 10 mil seguidores, escrever um erro ou equívoco de tradução num texto. Eu trabalho sozinha assim como a maioria dos divulgadores científicos; e quando isso acontece, já aparece um batalhão de gente pra me apontar o dedo. Agora você esperaria que com o ON, feito por doutorandos e doutores, recebendo dinheiro público, as pessoas fossem ter uma reação mais amena?

Eu também tenho a consciência de que as pessoas que trabalham no ON ‘dão suas vidas’ como você mesmo enfatiza, mas o que aconteceu alguém precisa se responsabilizar. Assim como eu sou responsável por cada coisa que digo para os meus alunos ou seguidores. E eu sei que quando digo algo errado ou equivocado, mesmo que eu me retrate depois, poucas pessoas irão ver. As outras irão ficar com aquele conhecimento errado e isso não é bom — coisa que vai acontecer com a maioria dessas 29 mil pessoas inscritas no curso. Os cursos anteriores a esse tiveram outros erros gritantes e pessoas mandaram e-mails e mensagens — segundo tudo o que eu pude absolver de mensagens enviadas para o meu inbox e até mesmo comentários abertos. O cuidado com materiais futuros não houve — fato que nos fez chegar até aqui.

Eu realmente não acredito que eu, divulgadora científica pequena, vá mesmo acabar sozinha com a reputação da ON. Eu acredito que isso não é algo de hoje, visto que havia outros erros em edições anteriores segundo comentários e mensagens de muitas pessoas. Não sou eu ou o meu texto que está acabando com a reputação do ON, a própria instituição faz isso. Acontece que este curso em questão foi realizado num momento da internet em que existem pessoas que não aceitam qualquer coisa; que estão atrás de mais conhecimento e por isso se inscreveram nesse curso; e que, principalmente, tem cerca de 300 pessoas inscritas de outros países que vão te ruma impressão péssima do ON — e olha que nem vão chegar a ler meu texto para isso.

Aliás, o próprio texto não foi algo escrito para que eles se baseassem para corrigir; não é uma coisa que, por exemplo, se você errasse sobre Biologia eu iria lá para corrigir (uma vez que eu sei que não é sua área). Eu tenho certeza que as pessoas do ON são bem mais formadas e informadas do que eu, logo, eles sabem as respostas de todos aqueles erros. Eu fiz para mostrar para as pessoas que não sabem que está errado — e para mostrar para o ON que alguém percebeu que, infelizmente, uma instituição desse porte precisa ter mais cuidado mesmo sendo ‘vítimas do descaso de um poder público corrupto e de uma sociedade que vem se tornando cada vez mais reacionária e obscurantista’ como você bem coloca em seu texto.

Por último, eu peço de novo: não tente me responsabilizar se o curso for cancelado ou se ele acabar. O único responsável por isso é o ON — e eu não tô citando nomes até por que eu acho que houve toda uma equipe que elaborou o material e é sempre o nome do ON que estará em jogo. Eu realmente sinto muito que isso tenha acontecido, mas qualquer coisa negativa acarretada a instituição não será culpa minha. Eu escrevi de forma aberta para que as pessoas notassem que estavam aprendendo errado e na esperança de que o ON percebesse que mesmo com todas as dificuldades não podemos deixar brechas para aqueles que apenas querem maldizer o Brasil e a Ciência Brasileira.

Eu entendo o seu descontentamento como doutorando da ON e também não tenho nada contra você assim como também gostaria que não levasse nada disso para o lado pessoal. Mas, honestamente, nenhum dos pontos que você colocou justifica a falta de uma revisão profunda de texto.

Agradeço pela crítica aberta. Pessoalmente eu gosto muito de ‘jogo limpo’ e tenho certeza que absorverei várias coisas para o meu trabalho. Mas, o meu descontentamento eu não vou retirar e deixarei guardado para a posteridade.

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