Efetividade da educação pública em áreas de conflitos armados não RJ

Um pai tentando levar a filha para escola em meio ao tiroteio

Trabalhar em uma escola com nessa realidade não é nada simples. Como conviver com a violência e o crime sem ser conivente com eles, garantindo que é uma escola e um espaço de construção de novas possibilidades para os alunos? Apenas esse ano o Rio teve 336 escolas ou creches fechadas pela violência.
Entre julho de 2016 e julho de 2017, a cidade do Registro do Rio de Janeiro 3.829 tiroteios e em 99 do 107 dias letivos (92,52%) tiveram creches ou escolas fechadas, mas ainda assim, Secretário de Segurança, Roberto Sá, nega que estamos em guerra. O Alemão (218), Complexo da Maré (128) e Penha (128) foram os locais que mais compram registros de confrontos. O maior número de atividades fechadas para não Complexo da Maré 42 e 21 na Cidade de Deus e no Alemão.

O cotidiano de escolas que estão em áreas de risco por causa da grande incidência de tráfico de drogas e outros crimes é bastante peculiar. Vez ou outra, é preciso interromper as atividades quando ocorrer a operação policial na vizinhança - às vezes, duram algumas horas. Às vezes, algumas semanas. A maioria dos alunos convive com cenas que não são comuns em outros bairros -como a presença de "olheiros" armados nas esquinas, tiroteios e até assassinatos -, o que faz com que o tema de segurança de estar sempre presente na sala de aula e nas reuniões pedagógicas ou com uma comunidade.

Em mais um episódio de guerra, o professor Roberto Ferreira que trabalha não Ciep Roberto Morena, em Paciência, precisará uma iniciativa de pegar seu violão e cantar para evitar o pânico entre os alunos no meio de um tiroteio próximo a escola. 
Em entrevista para o G1, o professor disse:"Eu estava em sala de aula, com cerca de 30 crianças, e depois em um grande tiroteio, perigoso próximo da escola. Aquilo começou um pânico, algumas crianças começaram a chorar e eu fiquei muito preocupado com aquela situação. Eu protegendo e protegendo como crianças, levei o grupo para o corredor central do Ciep. Toquei o meu repertório todo e fiquei tocando, aquilo durou uns 40 minutos. Eu dizia 'não pode levantar, vamos ficar quietinhos no chão', porque elas gostam de gesticular ".
Professor cantando para acalmar crianças em uma escola após um tiroteio

Em meio a todo esse caos, a prioridade e defender uma integridade dos alunos e funcionários, visando isso, uma professora Michelle Oliveira que trabalha em uma colégio pública na Tijuca- RJ, vai falar como é uma decisão de fechar a escola em dias de conflito .

"Na verdade, quando o conflito começa e já está na escola, muitas vezes recebemos ordens dos traficantes da região e temos que fechar qualquer jeito para não sofrermos represálias. Nós temos que agir com muita rapidez e pensar no bem de todos. Uma vez demoramos um pouco para fechar e passaram avisando que se não obdecessemos, iriam “meter bala” na escola. Quando os conflitos começam após o horário letivo e há risco de se estenderem pela noite toda, já emitimos um comunicado cancelando as atividades do dia seguinte. Já aconteceu de ficarmos uma semana sem aula e quando voltamos, a frequência dos alunos demorou alguns dias para normalizar.
Crianças se protegem em mais um dia de guerra na Rocinha

E como ficar no ensino dos alunos que vivem não meio da guerra e perdem diversos dias letivos? 
Bom, o ensino público no Brasil é muito precário em resultado dos baixos investimentos, baixa qualidade de ensino, falta de materiais adequados, entre outras coisas, que juntos fazem com que a educação brasileira seja muito abaixo do nível esperado. Em uma pesquisa divulgada recentemente, apenas 10% dos alunos do ensino médio em níveis de satisfatórios, principalmente, não ENEM. 
Em 2007, o atual prefeito Cesar Maia, já instalado no sistema de aprovação automática nas escolas da rede municipal. Porém, seu sucessor Eduardo Paes, assim como assumiu o cargo em 2009, acabou com esse sistema, mas também não é feito para criar o ensino e a grande maioria dos alunos são aprovados em como mínimas condições para isso, muitos não sabem nem escrever corretamente. Abertamente não se fala mais em aprovação automática, mas sabe-se que ainda existe.
O projeto do atual prefeito Marcelo Crivella é blindar muros e paredes de escolas da rede municipal para protegê-las de confrontos armados. a estrutura dos colégios será reforçada com argamassa especial, importada dos Estados Unidos, e afixada com espessura de 3 a 4 cm. Ainda não há, porém, prazo e custo definidos para a realização desse projeto.

Como prender uma atenção de um aluno após um episódio de confronto? É muito difícil porque a violência tem um impacto direto na capacidade de aprendizado e concentração do aluno e quanto mais novo o aluno, mais perverso é o efeito.

Charge retrata a triste realidade do estudantes do Rio de Janeiro

A grande questão é "Há como mudar esse cenário"?
Para falar sobre isso, professor de Teoria Política, Oswaldo Munteal vai expor sua visão.
"Claro. Porém exige ações concretas, como por exemplo: mudanças nas leis: a verdade é que o crescimento da criminalidade não diz respeito a policiais - ou à falta de bons policiais -, mas a governantes e às leis arcaicas que sobrevivem até hoje. O cidadão comum, uma população de bem, está descrente e poucos são os que ainda confiam no Judiciário; como leis favorecem apenas uma minoria e a criminalidade avança como um tufão, um jato, enquanto Judiciário caminha a passos lentos. Criação de um instituto de estudos e pesquisas de segurança pública para pesquisas desenvolvidas sobre o controle de violência e promover o desenvolvimento de modelos de organização, de gestão e de processos mais eficientes e efetivos para as políticas.
A violência no Brasil está acionando inaceitáveis ​​e a grande dificuldade em se por um fim a esse mal é uma multiplicidade e grandeza de suas causas. O que existe é um ciclo vicioso: Condição econômica do país -> Desigualdade social -> Crimes -> Violência -> Polícia ineficiente (condição econômica do país). Tratar problemas como este exige total participação da sociedade e empenho singular dos órgãos administrativos ".