Arco-íris

A nuvem escura, pesada, carregada de pequenas gotas, que vieram se formando no caminho.

A nuvem que carrega tantas precipitações.

Que traz essas mágoas presas, que vão entristecendo a nuvem, que é soprada pelo vento, muitas vezes no caminho que nem era o seu.

A nuvem triste encontra outras. Condensam suas tristezas, unem gotas.

Formam escuridão. Ficam mais pesadas.

O vento sopra até o momento que as nuvens precisam descarregar no mundo suas precipitações.

Elas então disparam seus raios, seus trovões. Fazem barulho, fazem estragos. Mostram pro mundo a tempestade.

Todo mundo foge.

Naquele mesmo céu, Sol.

Naquele mesmo céu, filetes de Luz não param de tentar, espremendo-se passar, entre os pequenos buracos que as nuvens deixam.

Pouco à pouco, raios, agora de Luz, alcançam aquelas pequenas, insistentes, incessantes gotas de chuva. Mesmo no meio de tanta tempestade, sem medo de trovão.

Corajosos, eles vão.

Passam, brigam, sofrem, mas chegam. Iluminarão — precipitações.

Nesse momento, e somente nesse momento, acontece um fenômeno meteorológico chamado arco-íris.

Um arco multicolorido se forma à partir da refração de Luz sobre gota. Sobre o que se precipita.

O arco perdoa a chuva.

Supera o peso dessa nuvem pesada.

Deixa escorrer as gotas, passar os raios, calar precipitações.

Fenômeno.

Para vê-lo em sua forma mais espetacular precisamos estar sob céu claro.

Precisamos encontrar esse lugar sem nuvem, longe da tempestade de tantas precipitações, para ver formar no mundo, cores na chuva.

Para resistir Luz na tempestade.

Para antes, depois, e enquanto,

O arco-íris.

E a história de muita gente.

Por: Yasmine Calil