Devaneios do horário de almoço

Em um desses dias frios compreendi mais a fundo minha busca pelo conforto nas palavras. Senti que precisava preencher aquela lacuna de alguma forma, então optei pela poesia. Curioso o fato de que escrevê-las consegue me tornar mais amante ainda daqueles arranjos de estrofes sem métrica, afinal, é exatamente assim que me encontro: imprevisível. Nada pior do que uma vasta gama de opções para alguém tão indeciso como eu. Mas, ao contrário do que de costume, ao menos dera tempo de escolher, pois algo já havia sido separado pra mim. Escrito por Yasmin, assim como os meus; de título pesado, como uma Bigorna. Pra mim, se um trecho não arrancar-me o coração fora, não existe valia – e exatamente como o previsto, cada palavra era como um furacão, avassaladora. E por mais assuntos que um poema consiga abordar, não existe um adjetivo sequer que seja capaz de descrever a complexidade do emprego de cada palavra, afinal, cada uma delas havia em seu contexto um significado, e outro oculto, entrelinhas. É admirável como a transmutação do feeling ocorre de forma tão milimetricamente construída. Por isso é tão fiel à realidade: por trazer à tona esse prazer de sentir cada frase como se todos os objetos estivessem, de fato, vivos. Respirando. Inspirando vida, e exalando arte. É mágico transcrever verbalmente o que não se pode enxergar e fazer com que cada um visualize o abstrato à sua maneira. E eu sigo encantada pela falta de rima, pelo espaçamento não previsível, pelas palavras sinceras e até de baixo calão… essa é a métrica da vida real.
Texto escrito após a leitura do livro Bigorna, de Yasmin Nigri
