Lá vem ele

E lá vem ele, querendo levar pra passear, levar pra comer um lanche no McDonald's e dar aquele brinde tão esperado por um pequeno ser. E lá vem ele, domingo pela manhã, depois de muito tempo sumido, como se fosse aquele tio distante que você nem reconhece mais. Lá vem ele querendo pagar de bom moço, querendo apagar a ausência de um ano inteiro. 
E lá está o pequeno ser, todo arrumado esperando aquele que brinca de se esconder por semanas ou meses. O pequeno ser arrumado, banho tomado com um desenho nas mãos. Lá vem ele que esquece do pequeno ser por uma balada, por uma namorada ou qualquer ocasião. Lá vem ele com o celular esticado no braço, apontando o flash e com o sorriso forçado. Lá vem ele querer mostrar amor a quem o amor já tinha mesmo na ausência de todos os dias. Lá vem ele, querendo mostrar para os amigos o quanto é bom e se importa com o pequeno ser em questão. Lá vem ele naquela manhã de domingo, naquele dia tão batido, pedir atenção do pequeno ser que não entende, porque é esquecido. Lá vem aquele que o dinheiro nunca dá, aquele que o tempo é curto, aquele que tava jovem demais pra assumir, mas sumir o tempo não importa. Lá vem aquele, que como fumaça fosse, desaparece na responsabilidade pelo pequeno ser. 
Lá vem ele.
No dia dos pais.
O dia em que o pequeno ser finge não lembrar como dói esse espaço vazio que fica quando ele se vai.

A maternidade é compulsória, mas a paternidade é facultativa.

  • Baseado em relatos de mães solo.

Autor: Fernanda Aguiar